Blog do Cadu: A universidade se aproxima do movimento popular

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A universidade se aproxima do movimento popular

Tirem suas conclusões...

A universidade se aproxima do movimento popular

Por Fátima Fonseca

Desde que morava em Araraquara, no interior de São Paulo, Stela Santos Graciani se interessava por movimentos sociais. Quando veio para São Paulo, na década de 70, ajudou a criar o Núcleo de Trabalhos Comunitários (NTC) junto a Faculdade de Educação da PUC de São Paulo, que envolve professores e funcionários. Participou da Pastoral do Menor, na década de 80 e contribuiu para o formação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completou recentemente 17 anos.

Pergunta - Qual o foco do trabalho do NTC (Núcleo de Trabalhos Comunitários), instituído pela PUC-SP, há mais de 25 anos?

Stela Graciani - O Núcleo de Trabalhos Comunitários desenvolve, junto aos segmentos marginalizados da sociedade, projetos de ensino, pesquisa e extensão, como a implantação de brinquedotecas, alfabetização de jovens e adultos, programas de educação e apoio a crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social, além de estimular a formação de educadores populares.

Pergunta - Como a sociedade civil pode se beneficiar desse trabalho? As comunidades podem se candidatar a algum programa?

StelaA sociedade civil tem sido a parceira principal do trabalho social desenvolvido pelo NTC, pelo seu protagonismo, compromisso social com a exclusão, além da organização popular. Temos uma estreita relação com os movimentos sociais, populares e sindicais ligados diretamente a infância e adolescência, mulheres, indígenas, direitos humanos, dentre outros. Os trabalhos são articulados e integrados, tanto beneficiam os universitários que participam, quanto as comunidades onde se inserem, ora são demandados pelos atores sociais pertencentes a sociedade civil, ora são demandas da própria universidade que almeja contribuir para a emancipação e inclusão daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade.

Investimento na pedagogia social

Pergunta - Da criação do núcleo, até agora, o que mudou? Quais as principais experiências acumuladas?

StelaO primeiro trabalho, na década de 70, foi com crianças e adolescentes que guardavam carros na rua, nas imediações da PUC-SP. Tinha como paradigma a educação pelo trabalho. Investimos na pedagogia social e desenvolvemos um trabalho com 32 meninos, feito por uma equipe multidisciplinar, que envolvia pedagogos, serviço social, professores de história e de ciências sociais. Havia uma troca, planejavamos a ação a partir da avaliação do desempenho e, assim, fomos construindo propostas. Além da alfabetização, montamos uma oficina de brinquedos de madeira e hoje, muitos desses meninos, que se tornaram adultos, vivem de serviços de marcenaria. A maioria saiu da rua, voltou para a escola, mas outros permaneceram e estão até hoje no bairro, ainda como guardadores de carro. Essa foi a primeira experiência, que nos encorajou a ir para a rua. Fomos para a praça da Sé, junto com a Pastoral do Menor, e construímos o trabalho chamado de educadores sociais de rua. Tivemos uma experiência inovadora, que contribuiu para a formação de valores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Hoje, temos um trabalho que defende a construção de idéias de empreendimentos inovadores na área da tecnologia e da informação. E defendemos essas idéias nos conselhos, para que se consolidem e se transformem em políticas públicas na educação. Um dos projetos é o “Ônibus da Ludicidade – Baú Encantando”. É um ônibus equipado (brinquedos, livros, mesas) que circula nas periferias, funciona como uma brinquedoteca, pela manhã, como um local para atividades profissionalizantes, à tarde, e um espaço para alfabetização, à noite.

Pergunta - O ECA completou, recentemente, 17 anos? Qual o balanço que você faz? O estatuto tem sido cumprido?

Stela - Sou parte daqueles que acreditam nos avanços que o ECA propiciou para o atendimento competente e conseqüentemente para infância e adolescência brasileira, quando: propôs o combate ao trabalho infantil; propiciou a articulação da sociedade civil em fóruns; constituiu os conselhos tutelares e dos direitos; implantou o combate a exploração sexual das crianças e adolescentes; propôs a denúncia da violência doméstica; definiu um plano nacional de atendimento sócio educativo, aos autores de ato infracional e o plano nacional de promoção da convivência familiar e comunitária, como direitos da criança e do adolescente e, finalmente, quando elegeu a criança e o adolescente como prioridade absoluta no atendimento, sujeito de direitos.

Embora tenha se comprometido em tantas dimensões ainda faltam direitos fundamentais como: melhorar a qualidade e a quantidade de escolas, ter postos de saúde adequados, promover o lazer, a cultura e a profissionalização aos jovens brasileiros, o que com muita força e empenho os conselhos conseguirão pela responsabilidade que assumiram diante da realidade social.

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