Blog do Cadu: I Conferência Estadual de Juventude

terça-feira, 1 de abril de 2008

I Conferência Estadual de Juventude

Aconteceu no CEFET, no último fim de semana, dias 29 e 30 de março a I Conferência Estadual de Juventude. O evento contou com cerca de 350 jovens de todas as partes de Alagoas e é parte integrante da I Conferência Nacional de Juventude.

Pela primeira vez, o Estado brasileiro pára pra ouvir a juventude. Esse evento pode desencadear fatos bastante interessantes para o nosso país e nossa juventude.

Como diretor da UNE, representei a juventude alagoana na abertura do evento, que contou com membros do governo do estado e do governo federal, além de personalidades como o professor Geraldo Majella.


Leia abaixo meu discurso feito na mesa de abertuda da Conferência:



Bom dia a todos e todas,

A juventude brasileira sempre foi protagonista nas grandes conquistas deste país, sempre foi a parcela do nosso povo que mais se entregou às causas populares e democráticas.

Mas infelizmente, sempre foi tratada como inconseqüente, incoerente ou irresponsável por parte dos nossos governantes.

Atualmente vivemos uma crise de reprodução social, onde os jovens não têm as mesmas oportunidades ou possibilidades de futuro que seus pais, o que faz com que milhares de jovens tenham baixa auto-estima e uma forte insegurança em relação a suas perspectivas de vida.

O fato é que, com o desenvolvimento da sociedade capitalista, o avanço da acumulação do capital gerou uma crise estrutural no mundo do trabalho, que tem sido incapaz de dar condições dignas às pessoas e principalmente de inserir as novas gerações.

É fácil verificar essa situação, já que na sua maioria, os salários dos jovens são os mais baixos, precarizados e as oportunidades geralmente são de trabalho informal sem garantia de direitos. Isso quando o jovem consegue entrar no mercado, já que se reproduz o ciclo da inexperiência: as empresas não contratam porque não tem experiência e se não são contratados nunca a terão.

A juventude brasileira é desempregada e, quando consegue um trabalho, ele é precarizado, ou seja, não tem direitos trabalhistas nem proteção social do Estado ou do sindicato (apenas 14% dos jovens estão no mercado formal).

A juventude brasileira é pobre e sua condição de pobreza não permite que ela tenha acesso à educação e à cultura. A maioria da juventude brasileira (60%) pertence a famílias que vivem com até 01 salário mínimo per capita. Com essa condição, precisam trabalhar para ajudar na renda familiar, o que os impede de freqüentar a escola.

Por ter uma vida precária, com limitações para estudar e acessar bens culturais, a juventude brasileira está submetida aos valores da cultura de massa, individualista, machista, homofóbica, racista e competitiva.

Por isso, a juventude é o segmento mais vulnerável e sensível às mazelas engendradas pelo capitalismo, foco condensado de tantas contradições e, por conseqüência, demandas.

Conseguir combinar políticas de educação e emprego que tirem a juventude do ciclo vicioso de entrada precoce e precária no mercado de trabalho, sem ter a opção de concluir seus estudos é o que contribui para a manutenção da desigualdade social brasileira, combinada com políticas econômicas voltadas a concentração de renda e diminuição do peso do Estado, foram a lógica central do estado brasileiro ao longo de nossa História recente e ainda permanece sendo um desafio central do governo federal, se quiser de fato, enfrentar o problema do empobrecimento e da falta de perspectiva que vive significativas parcelas da nossa juventude.

Por aqui em Alagoas, temos o pior Índice de Desenvolvimento Juvenil - IDJ do Brasil, segundo pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana. Os critérios dessa pesquisa foram: saúde, educação, renda e ocupação.

A juventude alagoana está prioritariamente nas favelas, grotas e no campo. No campo em condições subumanas, trabalhando no corte da cana, a 03 reais a tonelada cortada.
Que perspectiva pode ter esses jovens?

Essa relação de trabalho criminosa precisa acabar!

Como se não bastasse, uma dezena de deputados e ex-deputados estaduais foram pegos em esquema de desvio de dinheiro público. O montante revelado pela Polícia Federal, Ministérios Públicos Federal e Estadual através da Operação Taturana são de cerca de 300 milhões de reais.

Já pararam pra pensar quantas escolas, universidades, postos de saúde ou professores contratados daria pra se fazer com essa quantia?

Sem falar nas inúmeras dificuldades por que passam as escolas e as universidades estaduais alagoanas.

Mas não só escolas e universidades nós queremos. Queremos também cultura, arte, esporte e lazer. Nos falta acesso à essas coisas. A juventude não consegue se expressar, estamos sendo sufocados pela cultura de massa imposta pelos grandes oligopólios da comunicação, o que, aos poucos, vai nos tirando nossa real identidade.

Essa Conferência pode significar uma mudança nesse quadro. Pela primeira vez o Poder Público pára pra ouvir a juventude brasileira. Mas a Conferência por si só, não basta!

É preciso reconhecer os esforços do governo federal para com a juventude através de inúmeros programas como: o Programa Primeiro Emprego, o PROUNI, o Pró-Jovem, o Consórcio Social de Juventude urbano e rural, Nossa Primeira Terra, PRONAF Jovem. Há também diversas ações de caráter mais amplo, como o Plano de Desenvolvimento da Educação, a expansão do ensino universitário público e dos CEFET’s e a criação do FUNDEB. Um investimento perto de 1 bilhão de reais por ano.

A ampliação do Pró-Jovem que unificará programas já existentes e atenderá 1,5 milhão de jovens nos próximos quatro anos com orçamento previsto de R$ 6 bilhões, como também o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), organizado pelo Ministério da Justiça. O projeto articula políticas de segurança com ações sociais, prioriza a prevenção e busca atingir as causas que levam à violência, sem abrir mão das estratégias de ordenamento social e segurança pública e investirá R$ 6,707 bilhões até o fim de 2012.

Sem falar na criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Juventude. Por aqui, vale ressaltar, a criação da Superintendência de Políticas para a Juventude. A superintendência precisa ser fortalecida, se de fato se quiser elaborar e pôr em prática políticas para os jovens e às jovens de Alagoas.

O resultado desse processo de Conferência precisa ser posto em prática, não como uma política de governo, mas de Estado. Só assim em médio e longo prazo poderemos vislumbrar solução para os problemas da juventude.

Por fim, gostaria de lembrar o assassinato do estudante Edson Luís, ontem fez 40 anos de sua morte pela ditadura militar. Que fatos como este jamais voltem a ocorrer em nosso país!

No mais, que venha a Conferência que a juventude alagoana e brasileira possam apontar os problemas por ela vividas e traçar os caminhos para as soluções!

Viva a juventude alagoana e brasileira!

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