Blog do Cadu: Democracia vai além das frases, professor

domingo, 10 de outubro de 2010

Democracia vai além das frases, professor

Este espaço publica o segundo direito de resposta negado/ ignorado pelo professor Yuri Brandão, em seu blog. Trata-se do texto da professora Ana Cláudia Laurindo, em artigo publicado na semana passada aqui nestas linhas. Porque democracia é também conviver com opiniões contrárias às nossas*:
 
Uma análise legítima nos meandros da sociopolítica, de um comentário do professor de português Yuri Brandão (clique aqui)
 
O professor que tanto gosta de analisar está sendo agora analisado, em acordo com o precedente por ele mesmo aberto. 

Inicia sua análise com alto teor de parcialidade quando mistura a discussão feita com aborto; que para mim, cristã por afinidade, não por tradição, é outra discussão a ser feita no decorrer do processo político brasileiro. Pois sendo tema tão delicado, não merece ser utilizado dessa forma grosseira! 


Ele diz que o título do meu texto “é problemático, pois um cristão de verdade interpreta tudo com vistas à bíblia”, revelando que conhece pouco de cristianismo, sendo o mesmo historicamente demarcado a partir da vinda de Jesus Cristo, fato este, acontecido muito depois dos fatos bíblicos. Além de revelar inclinação à ortodoxia religiosa, acreditando que só pode ser cristão quem caminhar nos trilhos dos dogmáticos da terra. Minha interpretação de Cristianismo certamente é mais liberta! 

Talvez levado pela emoção ao fazer análise do texto que escrevi em resposta à veiculação de coerções utilizando terminologias religiosas, pela internet, o caro professor de português se arrogou até o direito de vincular à candidata Dilma, do Partido dos Trabalhadores, a legitimidade dos meus princípios cristãos! Quem outorgou essa autoridade ao colega? 

Falo em um projeto, no qual acredito, respeito e defendo! O professor responde acusando ser ditadura! Realmente, professor, falta-lhe uma condição básica para analisar fatos na perspectiva sociopolítica que tanto deseja: conhecer História e saber interpretar. Pois como qualquer estudante brasileiro sabe, ditadura foi uma difícil experiência histórica vivenciada pelo nosso país a partir do golpe militar de 1964, uma ação da extrema direita, destruindo lares e sonhos juvenis! Quando o pior cego é aquele que não quer ver, respeito suas escolhas. 

Quando Gramsci aborda o Estado, tem domínio de natureza teórica, ao qual respeito! Quando o PT chegou à presidência da república, tornou-se representação legítima do Estado brasileiro, quem está se infiltrando aí, é o senhor com suas análises sem esteio. Quanto à segunda natureza, o nome disso é ideologia, coisa que o senhor exala com profusão, sendo no seu caso, ideologia de direita.
Asseguro que meus princípios sejam religiosos, políticos ou de qualquer natureza, não precisam do seu aval para estar incólumes. O senhor se exaspera mesmo! 

Com o perfil que o senhor apresenta, vejo como pouco provável que entenda sobre “valorização e promoção da diversidade”, pois para isso precisamos admitir o direito dos diferentes, nesse caso, paciência! Agora, se para o senhor, o politicamente correto é uma idiotice, como afirma no seu texto, precisa rever seus conceitos de cristão. Enquanto para o senhor as cotas raciais são ridículas, para os universitários cotistas são uma oportunidade ímpar, e eu vibro com eles! 

Pois é o professor, deveria ter lido o Evangelho antes de fazer essa análise! Jesus disse no Sermão da Montanha: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois que serão saciados.” E o senhor desdenha os feitos da justiça contra matadores e corruptos, assim, fica cada vez mais difícil entender sua lógica! 

Professor, você corre o risco de perder a credibilidade quando se assume tão preconceituoso em relação aos trabalhos acadêmicos alheios! Só o seu ponto de vista teria valor? Calma, colega! Talvez fazer um novo curso universitário te fizesse bem! Vai até a academia, sente o ar do conhecimento, lá de dentro! Para de reproduzir escritos alheios e escreve os teus! 

Meu amigo que raiva é essa de pobre? Acaso você é rico? Quem te doutrinou dessa forma ferrenha, não te fez bem! Marx é um teórico, valoroso é verdade, mas apenas um teórico! Nós somos os cidadãos do nosso tempo, livres para defender projetos e princípios nos quais acreditamos, você não tem o direito de colocar ninguém em cheque por isso. Agora quando você sugere que votar em Dilma é ferir os princípios sagrados, se torna risível! 

Lamento o desdobramento da sua proposta de análise sociopolítica! Não fico frustrada porque já conheço seu perfil autoritário e salvaguardo meus princípios na coerência de praticar aquilo que teorizo, eu respeito pessoas, mesmo quando não concordo com suas idéias! E só falo até onde minha habilitação permite, buscando não desqualificar jamais aquilo que eu não compreendo. 

Continuo cristã e votando em Dilma! 


Ana Cláudia Laurindo
Mestra em Educação Brasileira e Cientista Social com licenciatura e bacharelado.
 
 
*Retirado do blog do Odilon (cliqueaqui)

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