Blog do Cadu: Vaias para a governança tucana em Alagoas

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vaias para a governança tucana em Alagoas

Vaias

Hoje foi lançado em Maceió o “Programa Juventude Viva” que vai investir R$ 70 milhões de reais em Alagoas. Entre os motivos de Maceió ter sido escolhida para ser piloto na implantação do Programa está sua posição no ranking da violência. Segunda cidade entre as 132 que mais matam no Brasil. Em sua maioria, juventude negra da periferia. Outra três cidades também serão atendidas pelo “Juventude Viva”, Arapiraca, Marechal Deodoro e União dos Palmares.

Pela manhã também aconteceu um debate promovido por servidores municipais no auditório da Antiga Reitoria, Praça Sinimbu. Como disse o candidato do PSOL, Alexandre Fleming, em seu perfil no Twitter, “foi emblemático”. Nenhum dos candidatos do governo do estado compareceram. Nem Rui, nem Jeferson e nem Nadja. Dizer o quê a servidores?

Mas voltemos ao lançamento do “Juventude Viva”. Tudo ocorreria como manda o protocolo. As autoridades presentes fariam suas falas. Falariam os ministros, falariam os prefeitos das cidades contempladas, falariam representantes da sociedade civil, no caso, representante – apenas uma pessoa falou, Rúbia Nascimento da PJMP – e falaria o governador.

Até aí tudo certo, não fosse a sonora vaia que Téo Vilela tomou. Estudantes ligados à União Nacional dos Estudantes – UNE, puxaram uma vaia para o governador no momento em que assinava o documento de implantação do Programa no estado.

Confesso que senti uma pontinha de saudosismo dos meus tempos de movimento estudantil. Quando fui diretor da UNE, no biênio 2007 – 2009, representei a sociedade civil na abertura da etapa estadual da 1ª Conferência Nacional de Juventude em 2008 e desde aquele momento exponho o mal que o jugo dos usineiros cooperados fazem ao nosso estado e à nossa juventude.

Por aqui em Alagoas, temos o pior Índice de Desenvolvimento Juvenil - IDJ do Brasil, segundo pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana. Os critérios dessa pesquisa foram: saúde, educação, renda e ocupação. A juventude alagoana está prioritariamente nas favelas, grotas e no campo. No campo em condições subumanas, trabalhando no corte da cana, a 03 reais a tonelada cortada. Que perspectiva podem ter esses jovens? Essa relação de trabalho criminosa precisa acabar!”, disse.

A vaia que Téo Vilela tomou na cerimônia, na frente de representantes do governo federal, representa bem o sentimento do povo alagoano. Esse governo piora a olhos vistos a condição de vida dos mais pobres em Alagoas. Obedece, obviamente, a lógica de poder da Cooperativa do Usineiros, vigente desde o século XVIII. Não fosse o governo federal, primeiro com Lula e agora com Dilma, o jargão “quem sair por último apaga a luz” teria se materializado ainda em 2007.

Governo federal aliás que não somente “salva” o governo tucano, como também seu candidato à prefeitura de Maceió. Como? Eu explico.

Tirando fazer a merenda nas escolas, visitar um posto de saúde por semana e trocar lixo por comida nos bairros da periferia de Maceió, todas as propostas de Rui Palmeira são programas federais. Ele não vai fazer nada. Além de ruim,é preguiçoso.

Vale ressaltar que Rui é do principal partido de oposição ao governo federal, o PSDB. Seria cômico se não fosse trágico o estelionato eleitoral que comete se escorando nos programas de um governo que ele combate no Congresso Nacional.

A vaia que Téo Vilela tomou é pouco diante dos constrangimentos que os estudantes da Escola Estadual Geraldo Mello, no Graciliano Ramos estão passando com as revistas diárias. Ou os estudantes que até agora, mês de setembro, não tiveram suas aulas iniciadas. Ou os moradores da Comunidade do Jacaré, às margens da AL – 101 sul que foram removidos para que as elites pudessem ir para suas casas de veraneio em pista duplicada enquanto eles ainda não tem suas casas concluídas e o mangue da região não foi replantado, e aqui para nós, acho que não será mais.

A vaia é pouco perto dos nossos altos índices de violência e os nossos baixos índices de desenvolvimento educacional. É até pleonasmo eu citar isso nesse parágrafo, ainda temos escolas sem o início das aulas, como já coloquei acima.

A vaia foi pouca, mas deu para sentir um pouco que seja o que é estar com a alma lavada. Alma que somente estará limpa e límpida quando a Cooperativa dos Usineiros – determinando a vida aqui há tempo demais – não tiver mais o poder que tem em Alagoas.

Um viva aos estudantes brasileiros e à juventude!


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