sábado, 12 de janeiro de 2013

Autoritário é não regulamentar a mídia




Sempre quando se fala em regulamentação dos meios de comunicação logo os defensores da “imprensa livre” se insurgem com bravatas alegando ataque à liberdade de expressão. A expressão no Brasil nunca foi realmente livre. Enquanto prevalecer os monopólios e os oligopólios, não.

É disso que se trata a defesa da regulamentação da comunicação. Nunca se falou em conteúdo. Apenas na propriedade cruzada dos meios.

Comunicação não é uma atividade econômica qualquer e a sua concentração traz apenas a versão única dos fatos. Um poder quase divino. Fazendo um paralelo com o cinema é a mesma relação da Matrix com o seres humanos cultivados na película.

A regulamentação já está prevista em nossa Constituição. Ela não acontece por pressão da classe dominante, detentora dos meios de comunicação. A internet ajuda na diversificação da informação, mas não é a mesma coisa. E mesmo ela sofre ameaças no debate do marco civil no Congresso.


O professor da Unicamp, Roberto Romano, escreveu um artigo afirmando que regulamentar a mídia é tentação autoritária. E a concentração dela, é o quê?

Sempre como argumento contrário à regulamentação surge o falso debate de conteúdo.

No Brasil nem o direito de resposta é regulamentado. E em um sistema de comunicação desigual, as verbas públicas de publicidade seguem a mesma lógica concentradora. Isso também precisa ser debatido. As verbas publicitárias públicas precisam ter uma distribuição mais equânime.

Recentemente os três maiores jornais, Folha, Globo e Estadão deram notícias falsas desmascaradas rapidamente. Por conta da concentração dos meios, a falsidade espalhou-se rapidamente e logo, por ser versão única, tornou-se verdade. Veja também publicou notícia falsa sobre junção de bancos.

Mesmo após a revelação dos erros, intencionais ou não, muita gente continua a acreditar na primeira versão publicada.

Um país com o tamanho e a diversidade que tem o Brasil ter circulando em seu território apenas uma visão de sociedade, não é bom para nossa formação. Não pode, nem tem como ser. É disso que se trata a regulamentação dos meios de comunicação expressos em nossa Constituição.

2 comentários:

  1. Nossa mídia murdochinana faz a confusão, propositadamente, entre regulamentação e conteúdo.

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  2. Essa história de usar o argumento de liberdade de expressão ou liberdade de imprensa é o mote repetido pelo oligopólio midiático. Eles sabem que não é disso que se trata. Trata-se da democratização da informação. E também da responsabilidade pelo que se fala e escreve.
    Parabéns pelo artigo!

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