Blog do Cadu: Violência: de Lampião até os Gabirus, Carrancas e Taturanas

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Violência: de Lampião até os Gabirus, Carrancas e Taturanas

O texto abaixo é de autoria de Edberto Ticianeli, publicado em seu Blog (veja aqui).


Violência: de Lampião até os Gabirus, Carrancas e Taturanas


Quando o tenente João Bezerra, em 1938, comandando uma volante da Polícia Militar de Alagoas, cercou e matou Lampião e mais 10 cangaceiros numa grota em Angicos, em Sergipe, estava encerrado um ciclo histórico da violência no Nordeste. Segundo algumas versões, Lampião foi traído pelo coiteiro Pedro de Cândido. Em outras, o próprio João Bezerra teria rompido um acordo. Independente de qual "história" é a verdadeira, sobressai o fato de que foi a polícia alagoana, em território sergipano, que exterminou o bando do famoso cangaceiro. Segundo o historiador Frederico Pernambucano de Mello, um dos maiores estudiosos do cangaço no Brasil, isso só foi possível graças ao fortalecimento do governo federal, pós-revolução de 1930. Getúlio Vargas foi, aos poucos, enfraquecendo as oligarquias estaduais, tirando-lhes o poder através de interventorias e outras medidas que o poder ditatorial lhe facilitou tomar, até conseguir que uma polícia estadual agisse, além-fronteiras, sem provocar uma guerra de coronéis.

Segundo, ainda, o pernambucano Frederico, Lampião explorava essas desavenças entre as oligarquias estaduais e fazia com que seu bando atuasse "costurando" as fronteiras. A região onde morreu é a confluência de 4 estados: Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco.

Quando hoje assistimos a ações que visam à federalização de alguns crimes de mando em Alagoas, além das operações da Polícia Federal prendendo "autoridades" intocáveis pelos poderes estaduais, não podemos deixar de encontrar similaridades nas situações.

Vai ficando claro que o caminho para combater a violência patrocinada pelo poder político/econômico no Nordeste é a federalização das polícias. Só assim podem-se romper as amarras seculares da promíscua relação entre o poder da política e o poder da pistola.

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