Blog do Cadu: A defesa de Paulão

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A defesa de Paulão

Deu no Blog da jornalista Olívia de Cássia (veja aqui)



Deputado Paulão reafirma sua inocência e diz que renuncia se for comprovado que pagou empréstimo com a GAP



O deputado Paulão concedeu entrevista na manhã desta quarta-feira, 16, ao radialista França Moura, da Rádio Jornal, para falar a respeito das denúncias que vêm sendo veiculadas contra ele na imprensa e o depoimento que prestará no próximo dia 22, na sede da Polícia Federal, às 15 horas, quando apresentará sua defesa baseada em documentos. O deputado diz que é inocente e que se defenderá das acusações.



“Eu faço um desafio: se o inquérito comprovar que eu paguei o empréstimo com a GAP (Gratificação de Assessoria Parlamentar), eu renuncio ao meu mandato, tenho informações de que vários deputados têm uma maneira de burlar o Imposto de Renda usando essa gratificação e quero dizer que nunca usei essa GAP. Que os deputados que fizeram uso dela respondam” disse ele.


Paulão disse que as denúncias contra ele ferem e arranham o seu projeto parlamentar, argumentou que tem origem popular. “Fui office-boy, trabalhei em farmácia, com refrigeração e tenho 32 anos como funcionário da Ceal, com muito orgulho. Estou no meu terceiro mandato como deputado estadual sem comprar voto”, disse ele.


“Se eu soubesse que tinha alguma ilicitude no empréstimo eu não faria a operação”, disse Paulão fazendo um histórico da sua vida sindical e parlamentar dizendo que desde 1999 tem uma luta contra ele na Assembléia, mas que vai continuar fiscalizando que é uma das prerrogativas do parlamento. “Por dizer a verdade eu pago um preço alto. Estou tendo fé, juntando documentos e tenho a convicção de que sou inocente e se eu não for inocentado vai ser uma surpresa ruim para mim”.


O petista explicou que tudo começou quando concedeu uma entrevista à TV Gazeta e cobrou transparência do dinheiro público. Ele avalia que desagradou a algumas pessoas e foi criticado em uma rádio pelo deputado Cícero Amélio e disse que rebateu no mesmo veículo. Em seguida, Paulão disse que o deputado João Beltrão usou a tribuna da casa e falou que se fosse indiciado ele também iria.


“O processo foi montado, toda a imprensa recebeu a carta anônima e só uma rádio divulgou”, disse Paulão, acrescentando que na sexta-feira passada saiu notícia nos jornais e nos informativos eletrônicos (sites) dizendo que ele seria indiciado por conta das denúncias feitas na carta anônima e das cópias dos nove cheques. O deputado do PT disse que o que foi divulgado como sendo cópias de extratos bancários “são na verdade uma programação bancária e é diferente de um extrato”.


“Tenho 32 anos de Ceal; o patrimônio que eu tenho é quase o mesmo que eu tinha antes da minha atividade parlamentar. Quando eu fui ao banco eu fui de boa fé e entendo que a responsabilidade é do banco e da Assembléia”, argumentou. Paulão observou que o delegado é o dono do inquérito e que vai responder às perguntas que forem feitas.


O parlamentar disse que solicitou cópia do extrato ao Banco Rural e que pediu explicação, por meio de documento sobre a violação da sua conta particular. “Se eu tivesse dinheiro sobrando eu não pediria empréstimo”, disse, acrescentando que o banco e a Assembléia tinham um contrato e que a prerrogativa para o empréstimo era o aval da Assembléia.


Paulão também questionou se os deputados envolvidos na Operação Taturana teriam coragem de fazer um comparativo e colocar o patrimônio que tinha antes da atividade parlamentar e o de agora. “A carta anônima é um instrumento de covardes e apresentei uma moção de solidariedade ao dr.Coaracy (procurador-geral de Justiça) e ao desembargador Antônio Sapucaia”, explicou, argumentando que a decisão do desembargador não coloca clima par que os deputados indiciados voltem e por isso eles estão se sentindo acuados.


“Eu não tenho medo, não vou calar e vou até o fim”, disse Paulão ao radialista França Moura. O petista argumentou que numa reunião ocorrida entre alguns dos deputados da Taturana ele foi citado por porte de arma e certidões da Justiça constavam que havia um homônimo seu que estava com problemas a esse respeito. “Se eu fosse indiciado por crime não poderia ser candidato a deputado”, observou.

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