Blog do Cadu: República no Brasil: Do poder das oligarquias aos governos populares

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

República no Brasil: Do poder das oligarquias aos governos populares

Há 121 anos era proclamada a República no Brasil. Deixávamos então de ser império e de ter uma relação mais forte politicamente com Portugal (processo iniciado com a proclamação da independência). Porém isso não significou que deixamos de ser dependentes economicamente ou tampouco passamos a ser um país democrático num estalar de dedos.

Tivemos ao longo de nossa história republicana diversos personagens e períodos marcantes.

Getulio Vargas, João Goulart, ditadura militar, Tancredo Neves, Impeachment do Collor, Lula e Dilma.

Hoje em 2010 temos o maior período democrático no Brasil. São apenas 24 anos de democracia. Ao longo da nossa História sempre tivemos representantes das oligarquias no poder. E por diversas vezes se esses representantes não respondessem aos seus anseios eram derrubados, Getúlio Vargas é o melhor exemplo disso. Cometeu suicídio para não ser cassado. Foi acusado de corrupção pela UDN (Partido da ultra-direita na época e um dos partidos mais fortes do país), tendo como Carlos Lacerda o principal expositor das acusações.

Juscelino Kubitschek foi um desenvolvimentista. Criou Brasília e atraiu as indústrias para o país. Sofreu diversos ataques da UDN. A UDN queria em níveis de oligarquia igual aos do inicio do século. Simpatizava com o nazi-facismo, inclusive pressionando Getúlio apoiar o eixo na segunda guerra.


Tivemos João Goulart, que foi eleito vice- presidente de Juscelino Kubitschek (à época o vice era eleito em separado do presidente) e depois eleito vice de Jânio quadros. Jânio renuncia à presidência e Jango, como era conhecido Goulart, assume.

Mas Jango não assume na tranqüilidade democrática, não. Todas as formas pra lhe tirar o poder são feitas. Isso porque Jango era também um desenvolvimentista e não se envolvia na Guerra Fria. Foi à China e recebeu Che Guevara como chefe de estado em Brasília. Do parlamentarismo ao golpe de 64. Começava, com o apoio e patrocínio (treinamento militar, espionagem e métodos de tortura) dos EUA, o período mais nefasto da História brasileira.

Ficamos sob a ditadura militar 22 anos (apenas dois a menos do atual período democrático – o maior de nossa História). Foram anos de tortura, perseguições, seqüestros e desaparecimentos. Tudo patrocinado pelo governo do militares.

Não se era nem permitido aglomerações de mais de três pessoas em alguns momentos. Entidades estudantis, sindicatos, partidos políticos, tudo foi fechado; seus líderes foram presos, torturados e mortos. No inicio dos anos 80 é que se começa a ruir o regime ditatorial dos militares. Começava a campanha pelas Diretas.

A proposta das diretas é rejeitada no Congresso Nacional. Começava então, a campanha de Tancredo no Colégio Eleitoral (forma de eleição dos militares), fruto de grande mobilização popular em todo o país, vence.

Em 1989 ocorre a primeira eleição para presidente do Brasil em quase 30 anos. Collor, ex-governador de Alagoas vence Lula no segundo turno das eleições (aqui caberia um texto só sobre essa eleição. O papel da mídia, enfim... num outro momento talvez).

Collor é deposto pelo Congresso Nacional devido a grandes mobilizações populares. A UNE puxa “Os Cara-pintadas”, vai às ruas e até setores da mídia que apoiavam Collor mudaram de lado.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo vence as eleições em 1994 e termina de implantar no Brasil o neoliberalismo. Estatais são privatizadas a preço de banana, universidades públicas em ruínas. Mas mesmo assim FHC é reeleito em 98, tendo o Plano Real como principal bandeira. (Sugiro que leiam esse texto sobre o Plano Real). As duas vitória eleitorais foram contra Luis Inácio Lula da Silva.

Em 2002, Lula vence pela primeira vez as eleições. Este fato marca não só a vitória de um concorrente a quatro eleições, nem a vitória de um partido criado na luta pela redemocratização do Brasil, mas marca pelo fato de termo o primeiro operário eleito Presidente da Republica.

Pela primeira vez tínhamos um presidente de origem popular e não das elites nacionais.

Lula é reeleito em 2006. O Brasil vive uma economia forte, com mais investimentos em educação, saúde, ciência e tecnologia, geração de empregos e distribuição de renda.

Lula não só foi reeleito como é o presidente mais popular da História do Brasil. Seu governo tem aprovação de 94% da população brasileira e tal popularidade fez com que fosse eleita em 2010, Dilma Rousseff, sua sucessora.

Dilma, combateu a ditadura militar, foi presa e torturada. Participou de governos no RS e chefiou o Governo Lula, como Ministra-chefe da Casa Civil.

Em sue maior período democrático, o povo brasileiro optou por projetos populares de governo. Optou por mais distribuição de renda, mais empregos, ou seja, mais dignidade.

O Povo optou por um país que seja soberano, que não fale fino com Washington (EUA), nem grosso com Bolívia e Paraguai.

Os brasileiros e as brasileiras optaram por mais democracia. Entendem que não se tem democracia se as pessoas não trabalharem, não estudarem, não comerem. Enfim, o povo entendeu que sua História de lutas precisa dar frutos. O povo entendeu que é necessário construir um país mais justo e fraterno.

Vida longa ao povo brasileiro!

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