
Raposas querem tomar conta do galinheiro
Por Alberto Dines
A questão da auto-regulamentação foi crucial na discussão sobre a Classificação Indicativa dos programas de TV. As empresas de mídia queriam por que queriam cuidar sozinhas do processo – desde a classificação até o monitoramento. Perderam a parada: terão o direito de sugerir apenas uma classificação preliminar, o governo vai supervisionar sua execução, corrigir aquilo que considerar impróprio e, em caso de impasse, encaminhar a questão ao Ministério Público.
A auto-regulamentação é um estágio superior de organização social, funciona em certas esferas e, no caso da mídia eletrônica, seria aceitável em um país onde os concessionários de rádio e TV tenham demonstrado antes o seu senso de responsabilidade e respeito ao interesse público. Não é o caso da televisão brasileira, cuja folha corrida é lamentável. Sob o pretexto de "liberdade artística" impera uma subserviência absoluta aos interesses comerciais.
A próxima reivindicação dos auto-reguladores é controlar a propaganda das bebidas alcoólicas na TV. Fingem que atendem às preocupações do governo com o aumento do alcoolismo, porém regulam a propaganda na TV da maneira que atenda principalmente aos anunciantes.
Assim como as raposas não podem ser encarregadas de tomar conta do galinheiro convém desconfiar de publicitários que se dispõem a limitar a publicidade de bebidas alcoólicas. Quem entende de saúde pública não são as cervejeiras nem as agências de propaganda.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=441JDB011
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