quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Mudar a política para mudar o Brasil

Manifesto da União Nacional dos Estudantes - UNE.


Mudar a política para mudar o Brasil!

A todo instante rola um movimento que muda o rumo dos ventos”
(Paulinho da Viola)

Há cerca de cinco séculos, era o vento que decidia quais rumos as embarcações tomavam. Assim o Brasil foi “descoberto” e colonizado. Ao longo de sua história, a juventude se fez presente em diversos momentos para garantir importantes mudanças de rumos, e não poderia ser diferente agora, quando episódios evidenciam os limites da nossa jovem democracia e das nossas instituições. É hora de mudar o rumo dos ventos, é hora de impulsionar as mudanças no Brasil! Para mudar a política, é preciso democratizar o Estado brasileiro!

A história de nossa jovem nação é marcada por interrupções do processo democrático e a nossa cultura política tem herança histórica nos privilégios das classes dominantes.

Como o privilégio e a desigualdade são os pais legítimos da corrupção, a construção de uma verdadeira democracia no Brasil exige reformas de grande vulto, abrangendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de setores como a mídia e a educação. A saída virá pela pressão da sociedade civil organizada sobre os poderes instituídos, em todos os níveis, para que se imponha uma nova ordem institucional, transformadora.

O povo brasileiro já conhece de longa data o sistema de privilégios e corrupção vigente no Brasil: Ditadura Militar, Collor, PC Farias, SIVAM, Pasta Rosa, os anões do orçamento, compra de votos para aprovar reeleição, Eduardo Jorge, privatizações da Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, Cacciola, Valerioduto, denúncias contra governadores, senadores, deputados federais, denúncias de ilegalidades empresariais como o caso Abril-TVA-Telefonica, etc. A UNE e a UBES declaram sua firme posição ao lado dos que exigem apuração imediata de todos os casos de corrupção e a punição dos culpados!

Para extinguir vícios entranhados no dia-a-dia da política brasileira, é urgente a realização de uma Reforma Política democrática com ampla participação popular. Sua primeira tarefa deve ser atacar o principal elemento que interfere no compromisso de representantes políticos com o povo: o financiamento privado de campanhas eleitorais. Precisamos de financiamento público exclusivo de campanha, para equalizar as condições de debate e cortar pela raiz a comum e condenável prática do caixa-dois. É gritante, ainda, a necessidade da fidelidade partidária e do voto em lista partidária, visando fortalecer o debate em torno de projetos, acima das vaidades e interesses individuais.

A dinâmica viciada da política em nosso país leva o Executivo, governo após governo, a constituir uma base de apoio parlamentar com base em relações fisiológicas, em detrimento, na maior parte das vezes, de uma governabilidade com base no apoio dos movimentos sociais e outros setores da sociedade civil organizada. Por isso, precisamos de profundas reformas, capazes de mudar a dinâmica da política brasileira, desde a eleição dos nossos representantes até a forma de funcionamento das instituições. Rejeitamos o modelo atual e lutamos por uma reforma que radicalize nos instrumentos de promoção da democracia, ampliando a participação popular, com plebiscitos, consultas, audiências públicas, debates, etc. A participação direta da sociedade civil organizada é fundamental para o avanço da democracia. Os conceitos de conselhos e outras instâncias de representação popular devem fazer parte do sistema de decisões do poder central.

Mas para que a população possa intervir no rumo dos ventos, é preciso que haja educação de qualidade para a nossa gente. Não há democracia, desenvolvimento ou justiça sem igualdade de condições. A educação é um pilar fundamental na busca por um novo país. Por isso clamamos pela derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação (PNE), que define por 7% do PIB para a Educação, com prioridade à qualidade da educação básica e à expansão da universidade pública – e da pesquisa e extensão nela realizadas.

Chegou a hora de mostrarmos ao mundo o outro Brasil; aquele escondido no suor de cada trabalhador e cada trabalhadora que dedica sua vida à construção do país e da sua própria dignidade. Chegou a hora de vermos o verde-amarelo da nossa bandeira estampado no rosto do povo, através de uma nova política! E esta nova política passa pela democratização dos meios de comunicação de massa, espaço privilegiado do debate público. É urgente o estabelecimento de um novo marco regulatório para o funcionamento da comunicação no país, garantindo controle público sobre as concessões de rádio e TV. Precisamos de mais canais, distribuídos mediante critérios claros. Cada brasileiro e cada brasileira tem direito a expressar e publicizar sua opinião. O Brasil precisa que sejam ouvidas as milhões de vozes presas nas gargantas de nosso povo. A sociedade tem direito a uma Conferência Nacional de Comunicação, ampla e democrática, capaz de pautar a nova comunicação, com participação, diversidade, pluralidade e onde a política não seja sinônimo de corrupção.

Por isso, defendemos:

Ética e transparência na gestão pública
Reforma Política democrática com ampla participação popular; por financiamento público e exclusivo de campanhas, fidelidade partidária, voto em lista partidária;
Educação pública, gratuita e de qualidade para todos;
Democratização dos meios de comunicação; CPI da Veja já!

Participe dessa jornada por um novo Brasil! Com nossas idéias e nossos cata-ventos, mudaremos os rumos da política e do país!

17 de outubro – Ato de lançamento da campanha: Mudar a Política para Mudar o Brasil com grande passeata pelas ruas do Rio de Janeiro. Atividades por todo o Brasil. Traga o seu cata-vento e a sua disposição!


Rumo dos ventos
(Paulinho da Viola)

A toda hora rola uma história
Que é preciso estar atento
A todo instante rola um movimento
Que muda o rumo dos ventos
Quem sabe remar não estranha
Vem chegando a luz de um novo dia
O jeito é criar um outro samba
Sem rasgar a velha fantasia
Mulher é isso aí
Só existe a gente mesmo
Levando um barco pesado
Apesar do agitado mar
Sem a lua e seu encanto
Ao sabor da ventania
Mesmo no gelo da noite
Meu coração não esfria
E quando o vendaval passar
Acharemos uma ilha
E até quando Deus deixar, mulher
Iremos tocando a vida

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Coloque sua idéia, ponto de vista ou posicionamento. Afinal, toda discussão para contruir ideias é válida. Também pode discordar da opinião expressa no texto, mas sem ofender de qualquer forma que seja.

Caso algum comentário não se enquadre, será deletado. Também peço que assine.

Por isso, os comentários são moderados.

Forte abraço!

Cadu Amaral