É conhecida a fama de notívago do grão-tucano José Serra. No twitter, suas notinhas de até 140 toques são postadas na madrugada. Num exagero de servilismo, Gilberto Kassab, o prefeito da capital paulista, chegou a dizer que “durmo de paletó para atender às ligações do governador”. Muitos aspones já reclamaram, em tom de brincadeira (será?), que eram acionados as altas horas pelo mandatário centralizador. É desta fama e de suas olheiras que surgiu o apelido de vampiro.
Por Altamiro Borges*
Talvez isto explique porque o presidenciável anda tão atordoado, confuso, errático. Num dia, ele afirma que “não sou oposição nem situação” e que pretende ser o “continuador de Lula”. Noutro dia, ele assume o figurino fascistóide de George Bush ou Álvaro Uribe e faz discursos irritadiços contra o atual governo. Prova desta crise existencial foi quando ele tentou associar a sua imagem à de Lula em plena propaganda eleitoral na televisão. Muitos pensaram: Serra enlouqueceu de vez!
O atestado de óbito da Folha
Até a Folha, que nunca escondeu a torcida pelo candidato, desistiu de entender sua esquizofrenia. Em editorial de 21 de agosto, o jornal jogou a toalha e decretou que “a campanha de Serra parece ter recebido o seu atestado de óbito”. A famíglia Frias, que preferia um candidato direitista sem máscara, não engoliu o “parasitismo político” do jingle da campanha serrista que diz “tira a mão do trabalho do Lula/ tá pegando mal/... Tudo que é coisa do Lula/ a Dilma diz/ é meu, é meu”.
Indignada com a “sem-cerimônia dessa apropriação que extravasa os limites da mistificação marqueteira”, a Folha já anunciou que pulou fora do barco do candidato, que “agora se apresenta como ‘Zé’, no improvável intento de redefinir sua imagem pública... Não é do feitio deste jornal tripudiar sobre quem vê, agora, o peso dos próprios erros, e colhe o que merece. Intolerável, entretanto, é o significado mais profundo desse desesperado espasmo da campanha serrista”.
“A desconstrução já começou”
Pouco a pouco, José Serra vai definhando. O valentão Arthur Virgílio, o jagunço Sérgio Guerra, o riquinho Tasso Jereissati e vários outros “aliados” o abandonam para evitar a contaminação nas suas bases. A própria mídia, seu último bastião, já dá sinais de fadiga diante de uma “candidatura nati-morta”, como aponta o blogueiro Luis Nassif. “Muitas vezes previ que a velha mídia procederia à desconstrução da própria imagem que criou de Serra. E o faria com gana, sentindo-se ludibriada por ter apostado em um cavalo manco. Errei o prazo. A desconstrução já começou”.
Pouco a pouco, o bloco neoliberal-conservador desloca sua atenção para as disputas de governos estaduais e de mandatos legislativos. Serra pode virar mais um caso grotesco de “cristianização”. Caso não ocorra erro grave de campanha, Dilma Rousseff caminha para ser a primeira mulher presidenta do Brasil, dando continuidade ao ciclo progressista aberto por Lula. Ela precisará de sólida base de sustentação nos estados, no Senado e na Câmara Federal. A direita parece que já rifou Serra, que “precisa dormir”, mas já cava suas trincheiras para infernizar o futuro governo.
*Alatamiro Borges é Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil, autor do livro “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi)
**Retirado do Blog do Miro (clique aqui)

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