terça-feira, 10 de maio de 2011

Enem para além do bairrismo e dos cursinhos pré-vestibulares


Ontem alguns estudantes protestaram contra a adesão da Universidade Federal de Alagoas – UFAL ao Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM.  A linha mestra das falas vai da repetição do editorial do Jornal Nacional (veja aqui) ao discurso de condição de “vira-latas” dos estudantes alagoanos.

Falas do tipo: “não temos como concorrer com estudantes de outros estados” ou “vamos perder vagas para forasteiros” confirma a tese dos “vira-latas”.

Sobre vazamento das provas, foi a gráfica do Grupo Folha do jornal Folha de São Paulo que vazou as provas. O Grupo Folha foi vencedor da licitação para imprimir as provas.

Não somos um Estado de “vira-latas”, longe disso. Temos inúmeros problemas, mas nenhum deles nos coloca na condição de piores que os outros estados brasileiros.

É obvio também que a qualidade do ensino médio precisa, e muito, melhorar. E este é o debate correto a se fazer quando se trata de acesso à universidade. Ampliação das vagas e mais contração de servidores (professores e servidores técnico-administrativos) também são centro nesse debate. Além, é claro, da assistência estudantil. Mas este tema, pelo menos nesse caso, atinge os estudantes após seu ingresso no ensino superior.


O vestibular ou PSS onde cada universidade faz a sua forma de ingresso também possibilita que estudantes de fora venham concorrer aqui e daqui vão concorrer fora. O Enem garante que também os mais pobres o façam. Uma vez que não precisam se deslocar para fazer as provas. O que neste caso, uma política de assistência estudantil em constante fortalecimento e ampliação se faz extremamente necessário para evitar a evasão de aprovados nas instituições de ensino superior.

De fato o Enem ainda tem diversos problemas a serem resolvidos, em especial na sua logística de aplicação. Muito natural uma vez que antes dessa forma de ingresso unificado em todo o país cada instituição de ensino fazia a sua como achasse mais conveniente.

Isto é permitido. Respeitando-se a autonomia universitária.

A concorrência de fora pra cá é a mesma daqui pra fora. Essa tese é furada e só interessa a cursinhos pré-vestibulares ou a escolas que apenas se preocupam em ensinar “bizu” para aprovação em vestibulares.

O Enem é um instrumento de unificação de nosso país. Fazer uma prova nacional para ingresso nas universidades federais tem caráter nacional. É claro que não podemos esquecer as características regionais, mas estas não podem se tornar bairrismo.

O Enem serve até para melhor identificarmos os diferentes níveis no ensino médio no Brasil.

O bairrismo mais nos divide que nos unifica enquanto povo, nação.

Cada vez mais no Brasil precisamos ter políticas de caráter nacional. Que seja uma em todo o país. O Enem é uma dessas políticas. Ainda no começo como forma de ingresso à universidade, mas é sim uma política de formação da identidade nacional.

À medida que ela for sendo aplicada vai se aperfeiçoando.

Fortalecer o Enem é fortalecer uma educação de caráter e identidade nacional.

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