Não tive como analisar em detalhes o plano de investimentos da Petrobras, anunciado hoje. Claro que todos desejamos que nossa grande empresa invista sempre mais, embora todos nós esperemos dela a lucidez estratégica de compreender que seu investimento – pelo montante que alcança – é um elemento de indução do emprego, da formação de mão de obra e da produção nacionais. Deve, portanto, ter um ritmo forte, mas adequado também à capacidade do país de responder aos estímulos que ele produz.
Por Brizola Neto*
Por Brizola Neto*
Porque, do contrário, este investimento em lugar de ser uma mola propulsora do nosso desenvolvimento para a ser apenas uma maneira de drenar, numa rapidez imprudente, a riqueza do país. E sei que o projeto da Presidenta Dilma Rousseff, tal como foi o de Lula, não é o de, simplesmente, transformar o Brasil num exportador de óleo cru, com a entrada em operação comercial das áreas do pré-sal.
Aliás, na sua primeira entrevista como Presidente eleita, ela deixou isso bem claro: “Nós não podemos ser exportadores de óleo bruto senão perderemos muito dinheiro”, disse Dilma, explicando que a margem de lucro seria maior, se o Brasil exportasse petróleo já refinado.
Até podemos fazer isso, em quantidades limitadas, desde que seja para financiar o investimento e o lucro continuado do país, mas não como vocação permenente, cujos desastres e insustentabilidade podemos ver mundo afora.
Dito isso, posso me dedicar ao tema deste post, que é ter me ocorrido comparar os lucros e os investimentos de duas empresas gigantes: a Petrobras e a Vale, ambos recordes históricos neste primeiro trimeste.
A Vale, que cava a toque de caixa, o mais rápido possível, o minério de ferro brasileiro para exportar in natura, com baixíssimo valor agregado, lucrou US$ 11,29 bilhões no trimestre, e anuncia um plano de investimentos de R$ 20 bilhões para 2011.
A Petrobras, que explora o petróleo desenvolvendo tecnologia, encomendando navios e sondas no Brasil e investindo no desenvolvimento de fornecedores e dos trabalhadores brasileiros, lucrou um pouquinho menos: R$ 10,9 bilhões, mas vai investir este ano R$ 93 bilhões.
Embora tanto o ferro quanto o petróleo estejam com o preço internacional lá em cima, é claro que extrair petróleo de grandes profundidades marinhas exige investimentos maiores do que colocar escavadeiras, caminhões e esteiras para levar o minério às ferrovias e aos portos. Da mesma forma, exatamente por isso, os lucros descrescem na mesma proporção.
Então, os números do que investem evidenciam e aquilo no que investem é que ambos revelam a diferença entre os dois modelos e as duas visões.
Na Petrobras, o lucro é uma ferramenta viabilizadora de algo que constrói, talvez nem tão rápido, mas solidamente um país. Na Vale, e oxalá isso mude com a nova direção da empresa, o lucro é razão de si mesmo, porque o Brasil é apenas um lugar a ser escavado.
*Retirado do Blog Tijolaço (clique aqui)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Coloque sua idéia, ponto de vista ou posicionamento. Afinal, toda discussão para contruir ideias é válida. Também pode discordar da opinião expressa no texto, mas sem ofender de qualquer forma que seja.
Caso algum comentário não se enquadre, será deletado. Também peço que assine.
Por isso, os comentários são moderados.
Forte abraço!
Cadu Amaral