Hoje, dia 07 de abril, é o dia nacional do jornalista. Mais uma data comemorativa, como tantas outras, que nada diz à maioria dos brasileiros. Uma pena. A profissão de jornalista deveria ter, gerar os mesmos sentimentos que a profissão de professor provoca nas pessoas. Afinal, cabe ao jornalista informar às pessoas o que acontece em nossa cidade, país, mundo... E ambas tão importantes para a consolidação da democracia. Ambas criam condições para as consciências.
Infelizmente, isso não é uma realidade. Nem repercussão se tem nessa data. A não ser entre pessoas que, de alguma forma, atuam o tem alguma relação com o jornalismo.
O jornalismo é essencial para o execício da democracia. É essencial até mesmo para a formação de uma consciência crítica da população. Não se trata de moldar a mente das pessoas às visões dos jornalistas, mas de “colocar a pulga atrás da orelha” delas.
E porque isso não acontece?
Primeiro porque a lógica dos meios de comunicação é a manutenção do status quo da classe dominante e todo jornalista, a não ser que seja autônomo, trabalha, vende sua força de trabalho a um veículo de comunicação. E aí, vale a visão, opinião e vontade do patrão. Trata-se de uma empresa qualquer.
O que não deveria ser. Os veículos de comunicação não podem ser tratados nem se comportarem como uma empresa qualquer. Estamos falando de informação e informação não deve ser privatizada, nem usada para fins particulares que visam apenas mais poder.
A imprensa brasileira, salvo honrosas exceções, apoiou a ditadura militar e em troca tiveram sua estrutura robustecida pelos militares. Era uma relação simbiótica. (veja mais aqui)
Sim, poder. Seja econômico ou político. Os veículos de comunicação de massa tem o poder, felizmente no Brasil cada vez menos, de intervir na democracia a seu favor. De forma corporativa e para seus interesses políticos. E num país como o Brasil, onde quatro ou cinco famílias detém o monopólio da comunicação, é como se vivêssemos numa matrix (referência ao filme estrelado por Keanu Reeves).
E os jornalistas com isso?
No Brasil é hábito do jornalista chamar patrão de colega. Muitos ao estudarem jornalismo o fazem em busca de uma aura de pop star. Todos querem ser Willian Bonner ou Fátima Bernardes. Não trato aqui do jornalismo televisivo, apenas do pseudo glamour que o casal 20 da TV brasileira passa ao povo.
Os jornalistas, sem totalizar, perderam sua capacidade de indignar-se contra as vontades dos patrões. Seja por medo de perder o emprego, seja porque o sonho do glamour ainda vive dentro dele. Há também quem apenas acomodou-se.
O jornalismo no Brasil vive seus piores momentos. A grande imprensa mantém relações com o crime organizado, vide a relação Veja / Globo/ senador Demóstenes (DEM) / bicheiro Carlos Cachoeira; manipula-se os fatos como nunca, vide a bolinha de papel da campanha presidencial de 2010; acusa-se sem provas e não se pratica o direito de resposta; e até espionagem se faz através do jornalismo, vide o vazamento do Wikileaks sobre a relação do Willian Waack com o departamento de Estado dos Estados Unidos. Waack fazia seus editorias seguindo os interesses da gringolândia e passava informações dos bastidores da política brasileira para terra do hambúrguer com batata frita.
Hoje no Brasil, pratica-se apenas o jornalismo do dedo em riste. Aponta-se o dedo e pronto. Verdade. O contraditório, o direito de resposta e o ônus da prova tão importantes numa democracia, num estado democrático de direito ficam apenas para as cartilhas e textos a serem estudados nos primeiros anos dos cursos de jornalismo. Isso nos bons cursos...
Que o dia nacional do jornalista sirva para a reflexão sobre como anda a prática jornalística no país. Que vá para além da reflexão e que os jornalistas que realmente são compromissados com o exercício do jornalismo na sua plenitude tomem uma atitude nesse rumo.
Não se trata de jornalismo de esquerda ou de direita, mas de bom jornalismo.



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