É cada vez mais forte o debate sobre a regulamentação dos meios de comunicação no Brasil. É cada vez mais presente a necessidade desse debate. Não dá mais pra escamoteá-lo ou ignorá-lo. Tanto que até FHC, divindade intelectual das elites brasileiras no plano terrestre, também tratou do tema afirmando, inclusive, ser a favor da regulamentação da mídia como fatos consolidador da nossa democracia.
O
professor de Ciência Política e comunicação da UnB, Venício Lima, tem suas
ressalvas quanto a essa novidade do, como diz Paulo Henrique Amorim, Farol de
Alexandria. Em entrevista publicada no Portal Agência Carta Maior, Lima afirma:
“...me assusta que FHC e o grupo em torno
dessa promoção assumam a bandeira da regulação, eu jamais diria que ele é
aliado. Se fosse teria promovido a regulação nos anos que foi presidente da
República ou, então, o PSDB estaria apoiando alguma coisa nesse sentido.” – Leia entrevista completa aqui
Outra
entrevista bastante interessante sobre o assunto quem concedeu foi o Presidente
do Supremo Tribunal Federal – STF, Ministro Ayres Britto ao Blog do Luis Nassif.
Britto é um constitucionalista, e como tal sua concepção de comunicação é o da
Constituição Federal. “A Constituição é
cautelosa. No parágrafo 5o diz que os meios de comunicação não podem, direta ou
indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. A Constituição proíbe
oligopólio e monopólio.” – clique aquie veja a distribuição de veículos de comunicação no Brasil
O
próprio Britto já foi vítima da falta de jornalismo da grande imprensa. “Sempre atendo ao convite da grande imprensa
para falar sobre o tema. Mas nunca deixo de dizer que ela pratique a mesma
democracia que exige externamente. Só que, quando faço advertências, a imprensa
não publica.” – Leia a entrevista completa aqui
Nos
últimos dias, vazou na internet um áudio do bicheiro – e não empresário, como
gosta tanto de afirmar a Folha de São Paulo – Carlinhos Cachoeira sobre sua
relação co a “revista” Veja através do “jornalista” Policarpo Júnior, o Poli.
A
cada dia fica mais evidente que Cachoeira pautou a Veja nos últimos anos e que
esta só estreitou seus laços com crime organizado.
A
relação Veja / Cachoeira ultrapassou, e muito, a relação imprensa / fonte.
A
Veja sabia de todos os braços criminosos do bicheiro, inclusive os políticos e
sim, era seu papel expor isso. Mas ao contrário, a Veja e toda a grande
imprensa brasileira, enalteceram o principal membro desse esquema no Congresso
Nacional, o senador Demóstenes Torres.
Agora
com a instalação da CPMI para investigar o caso, seus aliados tentam a todo
custo impedir a convocação de membros da Veja para depor.
Alegações
vão desde ataque à liberdade de imprensa a vingança de Collor.
Sobre
os ataques à liberdade de imprensa, essa balela já está perdendo força. A imprensa
ou jornalista não estão acima da lei. Se um veículo de comunicação ou um
jornalista, quem quer que seja, matem relações com o crime, este deve responder
como qualquer outro.
Não
cabe invocar santidade ou divindade. A Veja, no mínimo, prevaricou. Sem falar que,
se é a imprensa a registradora da História em tempo real, rasga tudo que vamos
reescrever, pelo menos de 64 pra cá.
Os
apoios ao golpe de 64 sempre foi conhecido, apesar de negado, e agora com um
bicheiro como pauteiro...
Sobre
a vingança de Collor, por conta do impeachment
em 92, só cortina de fumaça. O senador até pode estar querendo ir à forra, mas
em nada isto deslegitima a convocação dos membros da Veja, inclusive o dono
Roberto Civita, à CPMI.
Além
do mais, Collor em 89 foi produto da grande imprensa brasileira para derrotar Lula.
São em parte, Collor e a grande imprensa, cria e criador.
Agora
o que me faz falta nisso tudo, pelo menos eu não percebo, é atuação da
Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, dos sindicatos nos estados e nos
cursos de comunicação (pelo menos onde eu curso – CESMAC/AL), estes eram para
estarem fervilhando acerca de debates sobre a prática jornalística no Brasil.
Cito da FENAJ e dos sindicatos nos estados, porque recentemente ao assistir o bom
programa Observatório de Imprensa, do apresentador e jornalista Alberto Dines,
na TV Brasil sobre este momento, apenas houve a fala da Assossiação Brasileira
de Imprensa – ABI (outras falas não eram de entidades), que é patronal e
obviamente contra a convocação dos jornalistas envolvidos com Cachoeira à CPMI.
Será
que a Federação e os sindicatos nos estados também concordam com a divindade do
jornalista?
Sinceramente,
espero que não.
Tanto
se fala da excrescência que é a imunidade parlamentar. Isto pra mim é a mesma
coisa, a mesma lógica. Jornalista pode fazer o que bem quiser sobre o guarda-chuva
da liberdade de imprensa.
É
claro que isso ta errado!
Já
passou da hora desse debate tomar conta dos cursos de jornalismo Brasil à fora.
Já passou da hora da FENAJ e os sindicatos estaduais botarem a cara na rua e se
posicionarem, para além de prováveis notas, sobre as relações da grande
imprensa com o crime organizado.
*Como não podia
deixar de ser, a imagem inicial dessa postagem é a ótima (sempre é) charge do
Bessinha.

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