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O poeta alemão Bertold Brecht, em seu texto “As
dificuldades para dizer a verdade” enumera uma série dessas dificuldades, até
concluir pela última e mais importante: fazer chegar a verdade para quem mais
precisa da verdade.
Por Emir Sader*
Como disse a Presidenta Dilma no seu histórico
depoimento no Senado, na ditadura não há verdade, só mentira. A verdade só pode
existir na democracia, porque é objeto da livre vontade das pessoas de dizer as
coisas como realmente são.
O Brasil tinha uma dívida com sua democracia: dizer
a verdade do que aconteceu quando a democracia foi violentada, saqueada,
sangrada, por militares golpistas e por todos os que os apoiaram e se
beneficiaram da aventura ditatorial. A transição democrática necessita, para se
completar, da versão oficial do que realmente aconteceu quando foi instaurado o
pior momento da história republicana do Brasil.
A aprovação da Comissão da Verdade - e agora a
nomeação dos membros que a compõem, - coloca a democracia brasileira em
condições de conhecer a verdade do que foi feito, em nome do Estado brasileiro,
durante a ditadura. Como, alguns valendo-se da força selvagem, em nome dos
supostos interesses da “segurança nacional”, usurparam o Estado e todo seu
poder – de armas a impostos, de capacidade de espionagem à de assassinato e
desaparição dos corpos das vítimas, de cerceamento da verdade e imposição da
mentira – liquidaram a democracia a duras penas construída pela cidadania e
impuseram o reino do terror durante mais de duas décadas no Brasil.
Precisam da verdade, antes de tudo, as vítimas e
seus familiares, que têm o direito de saber o que foi feito, quais os
responsáveis por tudo o que foi feito em nome do Estado brasileiro contra os
que resistiam à ditadura militar. Precisam saber o destino dos seus seres
queridos, encontrar seus corpos e dar-lhes a respeitosa sepultura, honrando-os
para sempre como mártires da luta pela democracia no Brasil.
Precisam da verdade os meios de comunicação que não
se vergaram à convocação ao golpe militar, ao apoio ao terrorismo de Estado – a
sua quase totalidade naquele época -, para cumprirem com seu dever democrático
de dar a informação veraz dos fatos e resgatar a liberdade democrática a toda a
informação, conspurcada por órgãos de imprensa que se dobraram diante do regime
de terror, prosperaram com ele e se fizeram seus porta-vozes.
Precisa da verdade, sobretudo, a democracia, que só
pode existir quando passa a limpo o que foi feito dela, em nome supostamente da
sua defesa. Precisa da verdade, porque a democracia só existe com a verdade e a
transparência.
Os membros da Comissão da Verdade nomeados pela
Presidenta Dilma tem todas as qualificações e as condições de resgatar a
verdade para a democracia brasileira e podemos estar certo que farão isso. O
Brasil sairá melhor do seu trabalho, que merece todo o apoio, porque a
democracia não tem medo da verdade e só existe plenamente na verdade.
*Retirado do blog do Emir Sader – clique aqui

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