segunda-feira, 2 de julho de 2012

2012: o tudo ou nada para a direita


Temos no país uma boa parcela da população que vê o mundo e suas relações sociais e econômicas de forma conservadora. Às vezes essa parcela se comporta de forma mais explícita, outras de forma mais implícita. Depende do momento e do caso.

Nas últimas eleições, sua manifestação tem se dado de forma mais acentuada. A eleição presidencial de 2010 foi algo que nos fez lembrar as campanhas udenistas de décadas passadas.

Desde a vitória eleitoral de Lula em 2002, quando a grande imprensa deixou mais clara sua opção de classe, os setores conservadores vociferam cada vez mais contra os partidos de esquerda e os movimentos sociais. Até então, a grande imprensa pouco demonstrava claramente a que interesses representava. Tanto é que Arnaldo Jabor ainda tem status de cult pra muita gente não tão alinhada com a grande mídia brasileira.

O denuncismo tomou conta dos editoriais dos jornalões impressos e televisados.

Quem não se lembra da fatídica matéria dos mosqueteiros da ética, onde Demóstenes Torres foi elevado à condição de “pré-santo”?




Em 2010 chegou-se a um nível estarrecedor. Até hoje tem gente que pensa que a Dilma não pode entrar nos Estados Unidos, por conta da campanha difamatória orquestrada pela campanha do Serra.

A todo tempo, tenta-se incutir na cabeça das pessoas que os militantes de esquerda que combateram a ditadura militar eram tão bandidos quanto os agentes do Estado que torturavam naquele período. Há anos que passam isso como verdade.

Vale a máxima que uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade.

Quem cometia crimes na ditadura (civil) militar era o Estado. Os militantes contra o regime eram apenas fruto da reação ao golpe de 64.

Hoje temos editorias e mais editorias contra as mais diversas politicas inclusivas, em especial contra o programa “Bolsa Família” e a política de cotas.

Contra as cotas nega-se de todo jeito que o desenvolvimento econômico no Brasil fez escolha de cor. Basta olharmos nas favelas que cor de pele predomina ou nas universidades. Leia mais aqui

Sobre o “Bolsa Família”, que transfere renda direto para quem precisa, é tanto blá blá blá que chega a dar canseira. De criação de preguiçosos, a fomento de super população. Esta seria a tática usada pelos beneficiários para receber mais verba do programa.

A assistência social também teve resistência quando da sua implementação e com argumentos bastante parecidos, lembra o economista Marcos Coimbra em artigo intitulado “O Bolsa Família e seus inimigos”. “Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?” Leia artigo completo aqui

Sobre os mitos do programa, Luis Nassif escreveu um interessante artigo por conta do entusiasmo que ele causa mundo à fora e que ficou demonstrado na Rio+20. Leia aqui

E de forma branda ou direta a direita brasileira, não distante da direta do resto da América Latina, vai golpeando a democracia no subcontinente.

Basta olharmos o quanto ficaram serelepes com o golpe no Paraguai. Isso só pra citar o golpe mais recente. E a mídia, como não podia deixar de ser, pauta e reverbera a direita golpista do país. “A direita se esmera agora em comentários na mídia, mas também faz salamaleques oficiais, como o senador Álvaro Dias se orgulhando de ter recebido em seu gabinete uma missão de parlamentares golpistas do país vizinho e também dos brasiguaios de direita, falando na defesa dos interesses (anti-reforma agrária) desse grupo que estaria sendo oprimido pela ameaçadora (?!) política de Lugo. Outro lembrete histórico: foi a defesa de interesses dos estancieiros brasileiros estabelecidos no Uruguai que levou diretamente à nefasta Guerra do Paraguai, com o governo imperial depondo o presidente daquele país.”, destaca Flávio Aguiar, do Portal Agência Carta Maior em recente artigo publicado (leia mais aqui).

Também é bem notório com a grande imprensa está trêmula com a revelação de suas ligações com o crime organizado. Em especial a relações do editor chefe da Veja em Brasília, Policarpo Júnior. Mais aqui

O desespero é sem tamanho. Até porque a direita está “mais perdida que cego em tiroteio”. Não tem agenda, não tem nomes e agora nem o discurso moralista. O PSDB definha no isolamento. E 2014 em tudo pra ser a pá de cal no tucanato. Leia mais aqui 

O DEM há muito tempo era anexo do PSDB, assim como o PPS. Estes vão na mesma vala: o ostracismo.

Por falar em DEM. O DEMóstenes disse que vai falar. Será que vai falar como o crime organizado atuou nas campanhas demotucanas e como a Veja ajudava na propaganda política deles? Leia aqui

Já a grande imprensa, principal partido político de direita do Brasil. Essa ainda respira, mas já mais abalada depois da cachoeira de revelações.

Agora com a campanha eleitoral propriamente dita em vias de começar, só resta à direita inflar o ódio de classe na sociedade. E não tenho dúvidas que isto será feito. Seja em campanhas de submundo como a da internet do Serra em 2010, seja de forma explícita via jornalões e “jornais nacionais”.

Todas as armas serão usadas. O Poder Judiciário será mais uma vez “o braço legal” da direita golpista brasileira. O Gilmar Mendes é o melhor dos exemplos. Mas com certeza nos TJ’s dos estados também está cheio de “gilmares”.

A única coisa boa é que assim pelo menos sabemos onde estão e quem são os reacionários espalhados por aí. Quem é que defende golpes e concentração de riqueza.

Estas eleições de 2012 são o tudo ou nada para a direita brasileira. E pelo jeito, com já disse acima e em outras postagens, num exercício de futurologia, 2014 será a pá de cal.

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Cadu Amaral