Temos no país uma boa parcela da população que vê o
mundo e suas relações sociais e econômicas de forma conservadora. Às vezes essa
parcela se comporta de forma mais explícita, outras de forma mais implícita. Depende
do momento e do caso.
Nas últimas eleições, sua manifestação tem se dado
de forma mais acentuada. A eleição presidencial de 2010 foi algo que nos fez
lembrar as campanhas udenistas de décadas passadas.
Desde a vitória eleitoral de Lula em 2002, quando a
grande imprensa deixou mais clara sua opção de classe, os setores conservadores
vociferam cada vez mais contra os partidos de esquerda e os movimentos sociais.
Até então, a grande imprensa pouco demonstrava claramente a que interesses
representava. Tanto é que Arnaldo Jabor ainda tem status de cult pra muita
gente não tão alinhada com a grande mídia brasileira.
O denuncismo tomou conta dos editoriais dos
jornalões impressos e televisados.
Quem não se lembra da fatídica matéria dos
mosqueteiros da ética, onde Demóstenes Torres foi elevado à condição de “pré-santo”?
Em 2010 chegou-se a um nível estarrecedor. Até hoje
tem gente que pensa que a Dilma não pode entrar nos Estados Unidos, por conta
da campanha difamatória orquestrada pela campanha do Serra.
A todo tempo, tenta-se incutir na cabeça das
pessoas que os militantes de esquerda que combateram a ditadura militar eram
tão bandidos quanto os agentes do Estado que torturavam naquele período. Há anos
que passam isso como verdade.
Vale a máxima que uma mentira repetida mil vezes,
torna-se verdade.
Quem cometia crimes na ditadura (civil) militar era
o Estado. Os militantes contra o regime eram apenas fruto da reação ao golpe de
64.
Hoje temos editorias e mais editorias contra as
mais diversas politicas inclusivas, em especial contra o programa “Bolsa
Família” e a política de cotas.
Contra as cotas nega-se de todo jeito que o
desenvolvimento econômico no Brasil fez escolha de cor. Basta olharmos nas
favelas que cor de pele predomina ou nas universidades. Leia mais aqui
Sobre o “Bolsa Família”, que transfere renda direto
para quem precisa, é tanto blá blá blá que chega a dar canseira. De criação de preguiçosos,
a fomento de super população. Esta seria a tática usada pelos beneficiários
para receber mais verba do programa.
A assistência social também teve resistência quando
da sua implementação e com argumentos bastante parecidos, lembra o economista
Marcos Coimbra em artigo intitulado “O Bolsa Família e seus inimigos”. “Costumamos nos esquecer dos “sólidos
argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como
naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da
Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e
na educação continuada?” Leia artigo completo aqui
Sobre os mitos do programa, Luis Nassif escreveu um
interessante artigo por conta do entusiasmo que ele causa mundo à fora e que
ficou demonstrado na Rio+20. Leia aqui
E de forma branda ou direta a direita brasileira,
não distante da direta do resto da América Latina, vai golpeando a democracia
no subcontinente.
Basta olharmos o quanto ficaram serelepes com o
golpe no Paraguai. Isso só pra citar o golpe mais recente. E a mídia, como não
podia deixar de ser, pauta e reverbera a direita golpista do país. “A direita se esmera agora em comentários na
mídia, mas também faz salamaleques oficiais, como o senador Álvaro Dias se
orgulhando de ter recebido em seu gabinete uma missão de parlamentares
golpistas do país vizinho e também dos brasiguaios de direita, falando na
defesa dos interesses (anti-reforma agrária) desse grupo que estaria sendo
oprimido pela ameaçadora (?!) política de Lugo. Outro lembrete histórico: foi a
defesa de interesses dos estancieiros brasileiros estabelecidos no Uruguai que
levou diretamente à nefasta Guerra do Paraguai, com o governo imperial depondo
o presidente daquele país.”, destaca Flávio Aguiar, do Portal Agência Carta
Maior em recente artigo publicado (leia mais aqui).
Também é bem notório com a grande imprensa está trêmula
com a revelação de suas ligações com o crime organizado. Em especial a relações
do editor chefe da Veja em Brasília, Policarpo Júnior. Mais aqui
O desespero é sem tamanho. Até porque a direita
está “mais perdida que cego em tiroteio”. Não tem agenda, não tem nomes e agora
nem o discurso moralista. O PSDB definha no isolamento. E 2014 em tudo pra ser
a pá de cal no tucanato. Leia mais aqui
O DEM há muito tempo era anexo do PSDB, assim como o
PPS. Estes vão na mesma vala: o ostracismo.
Por falar em DEM. O DEMóstenes disse que vai falar.
Será que vai falar como o crime organizado atuou nas campanhas demotucanas e
como a Veja ajudava na propaganda política deles? Leia aqui
Já a grande imprensa, principal partido político de
direita do Brasil. Essa ainda respira, mas já mais abalada depois da cachoeira de
revelações.
Agora com a campanha eleitoral propriamente dita em
vias de começar, só resta à direita inflar o ódio de classe na sociedade. E não
tenho dúvidas que isto será feito. Seja em campanhas de submundo como a da
internet do Serra em 2010, seja de forma explícita via jornalões e “jornais
nacionais”.
Todas as armas serão usadas. O Poder Judiciário
será mais uma vez “o braço legal” da direita golpista brasileira. O Gilmar
Mendes é o melhor dos exemplos. Mas com certeza nos TJ’s dos estados também
está cheio de “gilmares”.
A única coisa boa é que assim pelo menos sabemos
onde estão e quem são os reacionários espalhados por aí. Quem é que defende
golpes e concentração de riqueza.
Estas eleições de 2012 são o tudo ou nada para a
direita brasileira. E pelo jeito, com já disse acima e em outras postagens, num
exercício de futurologia, 2014 será a pá de cal.

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