Hoje, 16
de setembro de 2012, Alagoas completa 195 anos de emancipação
política. Há 195 anos a comarca de Alagoas separou-se de
Pernambuco. Sua separação se efetivou por conta das famílias
senhoras de engenho não aderirem à Revolução Pernambucana.
Pernambuco não aceitava mais o jugo do império brasileiro, sob
influencia holandesa, queria se desenvolver economicamente. Já eram
as ideias capitalistas vinda da Europa que começavam a tomar o
imaginário dos pernambucanos.
Vale
ressaltar que àquela época, o capitalismo – mesmo que de forma
embrionária – era conjunto de ideias revolucionárias. O mundo
começava a sair do feudalismo ou coisa que o valha.
Há 195
anos, nossa “doce” elite trocou uma visão desenvolvimentista
(para a época) pela manutenção do status quo vigente.
Arcaico, atrasado, extremamente conservador – mesmo para os padrões
da época – e escravista. As famílias de nossa elite “adocicada”
preferiram manter tudo como dantes, apenas tendo agora o poder sob
uma porção de terra: Alagoas.
Aqui
essas famílias em nada pensaram em desenvolver nosso estado. Tomemos
como exemplo o porto de Maceió ou o de Marechal, outra de nossas
capitais. Nunca nem de perto comparáveis ao de Recife. Nem sequer
movimentações nesse sentido.
Se aqui
não se escoa a produção como se deve; se aqui não se tem comércio
forte por não haver circulação de mercadorias, o que temos?
Temos uma
coisa.
Uma coisa
que não é capitalista e nem feudalista. Um limbo
histórico-economico.
Temos
Alagoas.
Essas
famílias sempre fizeram de um tudo para se manter no poder. Até
adotaram o cooperativismo. As famílias senhoras de engenho, que
traíram o governo da capitania em favor do império, montaram o que
hoje é a Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado
de Alagoas. A Cooperativa dos Usineiros.
Há 195
anos estamos oficialmente sob o julgo dessas famílias.
Há 195
anos que nossas vidas são determinadas, direta ou indiretamente,
pelos usineiros cooperados.
Há 195
anos que aqui nada que possa diversificar a economia e portanto
vislumbrar uma disputa de poder se instala.
Há 195
anos todos os poderes tinham nas composições de suas direções
usineiros. 1817 parece que é hoje. O governador é usineiro; o
presidente da Assembleia Legislativa é usineiro; o TJ é compostos
por familiares dos usineiros, ou seja, por usineiros.
Às vezes
tenho a sensação que A Fantástica Fábrica de Chocolate foi
inspirada em Alagoas. Claro que ao invés de chocolate, rapadura ou
caramelo.
Há 195
anos que temos “as mais belas praias do país” e só.
Há 195
anos que temos uma pretensa classe média que ao invés de se impor
para desequilibrar a balança do jogo político prefere imitar os
nobres. Não enxerga que as elites só gostam dos consanguíneos. Ao
demais resta apenas a condição de quebra galho.
Há 195
anos que temos uma impunidade descomunal e os piores índices
sociais, mesmo antes de existirem índices sociais
Há 195
anos somos lugar de gente e natureza exuberantes. Lugar de gente que
luta diariamente por um lugar ao sol e que é oprimido. Somos
oprimidos por nossa “doce” elite há tanto tempo que muitos de
nós já nem percebem mais. Adormeceram.
E ainda
tem gente que quer dar mais poder a quem já tem demais. A dormência
já não permite que se enxergue o que realmente está em jogo.
Some-se a isso o fetiche por ser um deles, da elite. Por frequentar
os mesmos lugares. Beber da mesma bebida. Falar as mesmas coisas e
nem perceber que o inimigo se apresenta limpinho, arrumadinho com seu
cabelo bem penteadinho, parecendo algo novo, mas não passa da coisa
mais velha que poderíamos dar a nós mesmos.
Mas mesmo
assim vamos continuar lutando, tentando e um dia conseguiremos.
Nem se
trata aqui de socialismo, se conseguirmos nos livrar do excesso de
açúcar em nosso sangue, já será um avanço descomunal.
Há 195
anos – somos Alagoas – parabéns para nós!

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