quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Doce" disputa pelo Poder

A disputa por espaços de poder tem formas e táticas em que os golpes são sempre desferidos abaixo da linha da cintura. Manipulações de pesquisas eleitorais, uso de poder econômico, aparato de Estado – em especial o uso do Poder Judiciário – e imprensa, estão entre os instrumentos mais usados. O poder econômico é o centro do jogo. É o “dono na bola”, na verdade. É ele quem determina o que se faz, quando faz, quem faz e como faz.

A grande imprensa, já bastante definida e cada vez mais assumida em sua opção de classe, não tem mais vergonha em fazer o que for possível para ver seus interesses contemplados. Se listarmos aqui todas as suas peripécias, ninguém leria esse texto até o final.

E a Justiça então? Essa que deveria ser o equilíbrio dos poderes, a esfera do Estado menos política – se é que isso é possível, Estado sem política – é justamente o contrário. O Poder Judiciário é o mais político de todos. E não preciso argumentar aqui o porque da opção de classe deste Poder ser, assim como a grande imprensa, a burguesia.

O jogo do poder em Alagoas
Aqui em Alagoas, como vivemos sob a mesmas relações sociais do século XVIII, muito dessa postura é bem acentuada. Alguns gestos nem necessitam de olhar mais apurado. O trato dispensado a Ronaldo Lessa pelo Poder Judiciário é um dos melhores exemplos.


Como já havia afirmado anteriormente, nem de longe se trata de dar divindade a Lessa, mas não tem como reconhecer que o trato dispensado é sim de uma Justiça partidarizada. Assim como a grande imprensa brasileira. Lessa quando foi governador, peitou o Judiciário a não conceder os aumentos de duodécimo na forma, quantidade e tempo que bem entendessem os senhores de toga.

O maior dos erros de Lessa foi ter achado que daria para estar ao lado da Cooperativa dos Usineiros. Apoiou Téo Vilela em sua primeira eleição, achando que venceria fácil a disputa ao Senado. Não venceu a eleição e o primeiro gesto de Téo foi desconstruir a liderança e capilaridade eleitoral de Ronaldo. O próximo da lista, em vitória de Rui Palmeira à prefeitura de Maceió será Cícero Almeida.

E Jeferson Moraes que andou tentado dar peteleco no PSDB durante a campanha que se cuide. Nossa “doce” elite não hesitará em transformá-lo em fosfato de pó de qualquer coisa.

Nesse tom o TRE de Alagoas indeferiu a candidatura de Ronaldo Lessa por uma multa paga após, recurso no TSE, em atraso. Cabe lembrar que a multa seria de 2006, Lessa foi candidato em 2010 e o TRE não estava nem ai para essa multa, porque estava em andamento.

Lessa pagou a multa logo após o julgamento do recurso. Mesmo assim errou. Tinha pago em juízo e depois recursado. Mas agora são águas passadas.

A última do TRE foi cassar todo o programa eleitoral de Lessa no último dia de propaganda em rádio e TV. Repito: todo o programa, com inclusive as inserções nos intervalos dos programas.

O motivo seria a aparição do Cícero Almeida pedido votos para Ronaldo Lessa. O argumento de que o partido de Cícero, no dia das convenções era o PP, do vice de Rui Palmeira. Então Cícero mudou de partido, foi para o recém-fundado, PEN.

O PEN não está na coligação de Lessa, não está na coligação de ninguém. Não disputa a eleição em Maceió, portanto seus membros podem participar da campanha de quem bem entenderem, pois não disputam a eleição.

Mesmo assim Cícero mudou de partido. Foi ao PSD. Este sim, coligado formalmente à frente de partidos que apoiam Ronaldo Lessa. Mas o TRE, implacável em sua perseguição ao adversário da Cooperativa dos Usineiros, proibiu mesmo assim a aparição de Almeida no guia eleitoral. Entre os argumentos está o de que Cícero deveria ter mudado de partido antes das convenções eleitorais em junho.

Isso é no mínimo uma piada de mal gosto.

Até um cego consegue ver que se trata de perseguição política. Cabe ressaltar que para justificar a ação do TRE, uma vez que o Judiciário somente age “se provocado”, foi fruto de uma ação por parte da coligação de Rui Palmeira.

O jogo pela disputa do Poder é bruto. Tem semelhanças de métodos nas mais variadas esferas.

Outra característica é a traição. Esta pode ser direta – aquela que seu aliado reconhecido e assumido lhe trai – ou pode ser indireta – quando uma aliança branda, de não agressão, por exemplo é feita e no primeiro momento um dos lados trai.

Tem também a traição aos eleitores. Essa altamente velada, de bastidores. O melhor exemplo é quando alguma candidatura se torna “laranja” de outra. O “laranja” aceita tal situação – mesmo sabendo que não vence a eleição, senão não seria “laranja”- para tentar conseguir ou dinheiro, ou alguns votos a mais.

As eleições municipais estão chegando ao fim e a forma como o jogo é jogado não muda em nada. É, além de bruto, desleal. Às vezes o povo surpreende e, através das urnas, prega uma peça em nossas elites. Espero que seja o caso nessas eleições.






Os link's foram retirados do perfil no Twitter do jornalista Davi Soares - @davisoaresal

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