quinta-feira, 15 de novembro de 2012

OAB/AL e o falso moralismo seletivo

Tomou repercussão nacional o áudio de uma reunião com o atual presidente da OAB em Alagoas, Omar Coelho e membros da chapa de Rachel Cabús, sua candidata em que se comentava sobre compra de votos para a eleição da Ordem. Até um juiz eleitoral estaria presente na reunião.

No áudio podemos ouvir frases do tipo “ na última eleição chegamos a pagar R$ 5 mil por um voto”.

Em entrevista Omar disse, segundo o blog do Ricardo Mota, que “verifiquem se houve o desvio de um centavo da OAB ou o uso da “máquina” na disputa de agora”. Nessa, o esquema pode até ter furado, e pode até não ter sido usado recursos financeiros da autarquia, mas foi assumido a compra na eleição anterior, que reelegeu Omar.

Ele é réu confesso. Não acontece nada?

Se ele fosse do PT (ou de outro partido de esquerda), a OAB nacional ia transferir sua sede para Alagoas; Globo ia manda o Alexandre Garcia fazer a cobertura daqui; ia ser capa de Veja e manchete no Estadão e na Folha.

Omar ainda afirma que essa prática é corriqueira na eleição da OAB em Alagoas.


“Que se apresente, entre os adversários de agora, aquele que ignora a existência dos mesmos procedimentos em outras eleições de que participaram e diga que rejeitou essa forma de agir”, desafia Omar.

Em 2007, segundo ex-alunos do curso de direito da UFAL, Omar disse a seguinte pérola sobre o caso do “mensalão”: “Nós já pegamos os 40 ladrões, agora vamos pegar o Ali Babá”. Uma fala à la coisa feita em papel couché, Veja.

Fala dos setores conservadores. Omar tem relações com o DEM.

Quem é o Ali Babá agora?

A OAB sempre em eleições se coloca como bastião da moralidade. Omar Coelho nunca fez diferente.

A OAB em nível nacional não se pronunciou sobre o julgamento da AP 470. Se não para questionar as interpretações heterodoxas de teses heterodoxas ao direito brasileiro, pelo menos às agressões aos direitos dos advogados dos réus. A dosimetria das penas de Dirceu e Genoíno, por exemplo, foram realizadas sem a presença de seus advogados.

Podem até dizer que não há a obrigação legal, mas há a moral. Está não é prática no direito brasileiro.

Não sou advogado, mas conheço alguns. Mesmo assim não precisa ser doutrinário da área para saber que isso é uma excrescência.

Ophir Cavalcante, presidente nacional da OAB, disse que Ayres Britto deixou o STF mais humano.

O mesmo é acusado de receber, há mais de 13 anos, rendimentos mensais de R$ 20 mil, como procurador do Pará. O dano ao erário estadual atinge quase R$ 1,5 milhão. Ele não poderia advogar para ninguém, a função de presidente da OAB requer dedicação exclusiva.

Qual a moral tem Ophir para tomar qualquer atitude que seja em relação às práticas nas eleições da OAB em Alagoas?

Qual a moral tem a OAB/AL para cobrar moralidade em espaço qualquer no estado? Ou mesmo a OAB nacional, qual moral?

Muita gente das mídia em Alagoas tentam, se não diminuir o impacto da gravação, desvir um pouco que seja o foco do debate. Fazem isso ao argumentarem, com quase ou mais peso, sobre quem gravou o áudio e como o fizera?

É justo. Afinal, arapongagem é crime.

A questão é que essa preocupação, assim como a moralidade na grande imprensa e na direita brasileira, é seletiva.

Não fizeram os mesmos questionamentos quando Veja mandou invadir um quarto no Hotel Naum, onde José Dirceu estava hospedado para armar um esquema de arapongagem.

Contra o PT, pode.

Não questionaram a falta de provas no processo da AP 470. Mas no processo contra o deputado estadual JHC, onde o mesmo é acusado de abuso de poder econômico e religioso, esbravejaram a falta delas e as falas com ilações da desembargadora Elizabeth Carvalho.

Muitos desse não questionaram a renúncia fiscal feita pelo governador Teotônio Vilela (PSDB) sobre as dívidas dos usineiros alagoanos. O total da “doce” dívida é de R$ 415 milhões. Isso só em impostos não recolhidos.

Não é a toa que querem reorganizar o ARENA, partido oficial da ditadura militar brasileira.

O falso moralismo, apesar de desmascarado a cada dia, ainda é forte em alguns setores da sociedade brasileira.

A luta é árdua, mas o bom nisso é que as máscaras estão sendo rasgadas e as verdadeiras faces mostradas.




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