Está em
discussão no Senado a redução da maioridade penal para 16 anos. A
PEC 33/2012 de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) – tendo o
senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) como relator – quer reduzir a
idade penal para crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e
terrorismo. Ela deveria ter sido votada na quarta-feira, 05 de
dezembro, mas não entrou na pauta da sessão da CCJ. No site do
Senado não consta a informação de quando ocorrerá sua votação.
Não é
coincidência o autor dessa PEC ser do PSDB.
Como
disse o professor de Direito da UFMG, Túlio Vianna, em seu perfil no
Facebook, é estranho (para não dizer outra coisa) que se proponha a
redução apenas para crimes geralmente praticados por pobres.
“Querem reduzir a menoridade penal só para os crimes praticados
tradicionalmente por pobres. Se um playboy de 16 anos pegar o carro
do papai e atropelar umas 20 pessoas no ponto de ônibus aí não tem
redução da menoridade penal, não é?!”
Reduzir a
maioridade penal em um país ainda socialmente injusto, significa
exterminar os jovens das periferias dos centros urbanos. Jovens
negros em sua maioria.
É
deslocar o centro do problema para a ponta do problema. Se reduz a
maioridade penal agora para 16 anos; daqui a uma década se reduz
para 14 e ainda neste século teremos maioridade penal de 06 anos.
Se livrar dos
pobres logo de menino que para quando crescer não dar trabalho. Não
me vem à cabeça outro raciocínio senão este sobre o que pesam os
defensores de tal excrescência.
Mais uma
vez, repito: não é coincidência o autor dessa PEC ser do PSDB.
Alagoas,
estado governado pelo tucanato, tem a capital mais violenta do país.
A grande política de combate a violência é a revista de estudantes
ao chegarem nas escolas da periferia de Maceió.
Em São
Paulo, reduto tucano há mais de uma década, centenas – quase na
casa do milhar – de favelas foram incendiadas. Todas em áreas de
interesse do mercado imobiliário.
É
preciso ficar de olho. Os ataques antipovo vêm de todos os lados.
A PEC do
senador Aloysio Nunes não é somente esdrúxula por propôr a
redução da maioridade penal, mas também por se limitar a crimes,
como afirmou o professor Vianna, cometidos por pobres. Ou
predominantemente cometidos por pobres.
Por mais
que a vida do povo tenha melhorado, por mais significante que sejam
essas melhoras, ainda vivemos em um país socialmente injusto,
desigual. O norte do desenvolvimento no Brasil aponta para a
superação dessas desigualdades, mas se tem muito a fazer.
Reduzir a
maioridade penal é ir na contramão dos avanços socioeconômicos
que passa nosso país.
A “massa
cheirosa” do PSDB mostra mais e mais sua verdadeira face. É contra
redução da tarifa de energia; atua politicamente na base da
fofocagem e do obscurantismo e agora quer colocar a juventude pobre
na cadeia. Crime: ser da parcela historicamente excluída da riqueza,
de oportunidades e acesso à saúde e educação.

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