segunda-feira, 15 de julho de 2013

Reforma política já. Mais uma da ALE/AL




É incrível como tem gente que defende o financiamento privado de campanhas eleitorais. Entre os argumentos está o de que não quer “seu dinheiro” financiando corruptos. Porém, essas almas de pensamento raso estão entre aqueles que votam “em quem vai ganhar” de acordo com o volume de recursos que o candidato – na campanha ou em seu bolso – possui. É essa lógica de financiamento eleitoral a matriz da corrupção política no país. Seja o financiador tendo um parlamentar ou executivo “na mão”, seja o próprio feito um maluco armando esquemas para conseguir verbas para o próximo pleito.

É um círculo vicioso perfeito. Por mais que um detentor de mandato eletivo consiga, através de desvios de recurso públicos, juntar o montante que julga necessitar para a disputa eleitoral, ele precisará de terceiros e, dependendo do valor, com capital para doar o número combinado sem levantar suspeitas. Um bom exemplo disso acontece em Alagoas.

Mais uma vez a Assembleia Legislativa (ALE) da terra de Graciliano Ramos está nua com a exposição de outro esquema de desvio de recursos para fins eleitorais e, obviamente, locupletação financeira. ALE gastou sete milhões de reais com 61 cargos em comissão em apenas ano. E há casos onde uma mesma pessoa possui dois “empregos” como esse.

Também existem denúncias de que candidatos derrotados estão ocupando espaços na ALE e em secretarias do governo do estado, concomitantemente ou não. Sem falar em doadores de campanha. Esses aos montes. Um desses “super-funcionários” recebeu em 2011 R$ 145.468,68 (102 salários) em 2011 do parlamento estadual em Alagoas.

Em 12 de agosto de 2010, o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) nomeou Lucrécia de Carvalho Lira, através do decreto 7.385, para exercer cargo em comissão na Secretaria de Estado da Gestão Pública (clique aqui) e em 28 de fevereiro de 2011 ela foi nomeada como assessora parlamentar na ALE/AL (clique aqui). Não há, ou pelo menos esse blog não encontrou registros de exoneração da primeira nomeação. Ela recebeu R$ 131.850,48. Mais informações no Portal Cada Minuto

Entre os nomes divulgados pelo portal de notícias alagoano encontram-se doadores de campanha da vereadora em Maceió Silvânia Barbosa (PPS). Telma Araújo Lima e Rosimeire Oliveira Silva ambas receberam R$ 82.055,10 da Assembleia Legislativa de Alagoas.

clique para ampliar


O Ministério Público de Alagoas (MP/AL) já está com os documentos revelados contendo nomes e valores. Brigou-se tanto para investigar e agora ele tem que dar resposta. Mas, por mais que se trate o efeito, sem combater a causa, isso vira guerra sem fim.

O financiamento público de campanhas, além de tornar as campanhas mais baratas, facilita a fiscalização das contas e combate essa corrida desenfreada e desmedida para acumular recursos para as eleições. Isso somente para ficarmos com a questão financeira da coisa.

Um comentário:

  1. Post didático.

    O que temos hoje é uma verdadeira orgia entre os partidos e s interesses privados que financiam as eleições, o lobby rola solto e muito! Grandes empresas 'investem' nos candidatos e querem 'receber' em troca, não tem santo. Convém lembrar também que em 99,9% das vezes os interesses dessas empresas não vão ao encontro dos interesses da sociedade.

    Financiamento público deixa a eleição mais barata, mais 'fiscalizável', combate o maldito 'caixa 2' e combate o poder do dinheiro nas campanhas.










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    Helder

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