Ao
término do mês de agosto e início de setembro, as Organizações Globo publicaram
um pedido de desculpas pelo apoio ao golpe civil-militar de 1964. Afirma que errou
motivada pela defesa da democracia (?). No editorial, os filhos do Roberto
Marinho afirmam que “a democracia é um valor absoluto”. Dá para acreditar nisso?
A
tevê Globo surgiu em 1965, um ano após o golpe de 1964. Por mais que você
acredite em coincidências, essa é demais. Em dois de abril do ano que parou o
Brasil no tempo por 20 anos, o título de seu editorial era “ressurge a
democracia”. A Globo só é “A” Globo por causa do golpe e para provar que suas
desculpas são sinceras, os filhos do Roberto Marinho precisam pedir muito mais
desculpas. Por que se, a “democracia é um valor absoluto”, então começa logo desfazendo
seu monopólio midiático, para garantir a pluralidade de informação e opinião no
Brasil.
Entre
as desculpas segue uma pequena lista, que não está em ordem cronológica: desculpas
pela tentativa de golpe na eleição do Brizola no Rio de Janeiro em 1982; desculpas
por enganar o povo brasileiro ao afirmar que o comício pelas eleições diretas
na Praça da Sé nos anos 1980 era uma comemoração ao aniversário de São Paulo;
desculpas pela edição do debate entre Lula e Collor na eleição presidencial de
1989; desculpas por sempre apoiar o militarismo imperial europeu e estadunidense
no Oriente Médio e em países “não alinhados”; desculpas por se omitir diante da
presepada das privatizações de FHC e sobre a forma que como comprou sua
reeleição no Congresso Nacional – não deixe
de ler “O Príncipe da Privataria” – e tem mais.
Desculpas
pela proteção aos desvios das elites brasileiras e suas instituições como os bancos
privados; desculpas pela tentativa de golpe durante os governos de Lula, principalmente
a partir de 2005; desculpas pela bolinha de papel do Serra; desculpas por
tentar fazer uma pessoa como José Serra ser presidente do Brasil; desculpas
pelo tomate; pela conta de luz; pelo descontrole inflacionário que nunca veio e
por fazer seres humanos assistirem e ouvirem “analistas” como Miriam Leitão e Carlos
Alberto Sardenberg e desculpas pelo futuro apoio a Aécio Neves ou Marina Silva
na eleição do ano que vem.
Deve
desculpas pela atmosférica sonegação de impostos e pelo furto de dinheiro de
milhões de brasileiros no seu “Criança Esperança”. Segundo o Wikileaks, apenas
10% do arrecadado com as doações tem o destino descrito por seus artistas
durante a campanha global.
Deve
desculpas por ajudar a conspirar ou apoiar conspirações contra governos
democraticamente eleitos nos países vizinhos como Venezuela, Paraguai, Bolívia,
Equador e Argentina. Apenas por discordância ideológica ou em defesa das elites
locais. Isso não condiz com a afirmação de que “democracia é um valor absoluto”.
Como
se vê, desculpas não faltam à Globo para ela pedir, nem que seja meia-boca como
foi esse editorial sobre o golpe de 1964. Aliás, deve desculpas por ter publicado
um pedido de desculpas tão chinfrim como esse.

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