Blog do Cadu: O porque de não podermos juntar Poder Político com Poder Econômico

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O porque de não podermos juntar Poder Político com Poder Econômico


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As relações econômicas e de Poder em Alagoas são perversas. Temos a pior distribuição de renda do Brasil, conseqüentemente do mundo. Sempre fomos um Estado “doce”, a indústria do açúcar dá o tom do progresso econômico por aqui.

Mesmo tendo esporadicamente na estrutura de Estado pessoas não ligadas a este setor, o rompimento com o mesmo nunca se deu e continuamos à mercê do “humor” deste setor. A burguesia alagoana é, sem sombra de dúvida, a mais atrasada do Brasil.

A História de Alagoas mostra bem isso. Fomos comarca de Pernambuco e na luta contra os holandeses, Alagoas ficou contra Pernambuco que queria a influencia holandesa em sua economia e política. Sendo então, a comarca de Alagoas foi desmembrada por ficar ao lado dos portugueses. Aquele rompimento com o império significava a modernização das relações socioeconômicas. A posição mais avançada naquela época era mudar o modelo do império português, mas já desde daquela época a burguesia alagoana se mostrava atrasada. Essa burguesia nunca que a modernização do sistema econômico.

Ainda hoje é assim.


O que vimos na capital alagoana nos últimos dias é fruto da reação de parte da sociedade civil organizada a essa condição. Infelizmente, mais uma vez unimos Poder político ao Poder econômico. Colocamos a Cooperativa dos Usineiros no centro do aparato de Estado em Alagoas. Téo Vilela representa esta união. Temos um dos maiores usineiros do Estado como governador. Deu no que deu.

Se no seu primeiro governo Téo se comportou mais na “maciota” (a exceção foi o decreto 3555/07), no segundo já começam a aparecer as “doces garras” das elites alagoanas.

Num acordo com o Poder judiciário (este pra mim o pior de todos) 15 reintegrações de pose que deveriam acontecer de forma espaçada em 2010 ficaram para o primeiro mês de 2011 para não prejudicar a reeleição de Téo. Com um agravante: a violência.

O pior é o atual Juiz da Vara Agrária o Dr. Ayrton Tenório sendo usado pra mudar o foco do problema da violência nas reintegrações de posse. A maioria das áreas reintegradas já estão em Brasília para decreto ou pagamento. A partir daí as áreas viram assentamento.

Este Juiz mostrou que tem lado (não é o do pequeno agricultor).

De longe dizer que a Reforma Agrária em Alagoas está as mil maravilhas, mas tivemos muitos avanços. Saímos de 3000 famílias em 2003 e hoje temos perto de 15000.

Só pra se ter idéia num acampamento em Maragogi com apenas 04 famílias foi usada a cavalaria. O Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar está, desde 2007, sendo esvaziado. Hoje praticamente o Centro é mantido pelo INCRA (automóveis e diárias).

A escolha do novo secretário de segurança do governo do estado é emblemática. Dário César foi chefe a segurança de Collor na presidência. Em todas as manifestações pelo ipeachment de Collor eram tratadas na “porrada”. Quem participou daquelas manifestações sabe o que digo. Até sprays com ácido eram usados.

Teremos muita luta vindo por aí...

O governo Téo mostra bem porque não devemos juntar Poder político com Poder econômico. Sempre quem perderá em toda e qualquer questão é o povo.

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