Desde sempre a América Latina foi alvo de invasões
de países que se julgavam (ou julgam) superiores. Foi assim no período das
grandes navegações, no período de colonização propriamente dito e quando o “Tio
Sam” resolveu que seria dono do planeta. O “Tio” começou sua “brincadeira” de
War (jogo de estratégia de guerra) em escala natural pelos países latino-americanos.
O pior desse processo é que as elites latino-americanas
se seduziram pelo canto da sereia estadunidense. Todo mundo queria se sentir como os “galegões”
de língua enrolada e cheio da grana e de armas.
É mais legal falar “nice” que legal.
Claro que no Brasil, antes dos EUA, o fetiche era
ser português. Ser da “nobreza” real. Na América de língua espanhola era ser espanhol,
na mesma lógica dos brasileiros.
Mas depois que o “Tio Sam” resolveu conhecer nossa
batucada e falou que o tempero da baiana melhorou seu prato e que adorava chili
ou chimarrão, a elite latino-americana se desandou em serelepagem.
Brincadeiras à parte, é sabido por todo mundo a
histórica intervenção, às vezes direta, às vezes indireta, dos EUA na política
dos países latino-americanos. E como as elites desses países são e sempre foram
coniventes com os gringos.
Defensores ferrenhos até.
Tanto que basta olharmos o histórico de governantes
de origem popular nesses países. Contam-se nos dedos quantos com esse perfil
assumiram tais posições.
E os poucos que o fizeram sofreram golpes e
tentativas de.
Foi assim com Chávez na Venezuela em 2002 (assista aqui); foi assim com Lula em
2005; contra Manuel Zelaya
em Honduras; contra Rafael Correa no Equador; ataques a Evo Morales na Bolívia;
Cristina Kirchner na Argentina e por aí vai...
Sem se esquecer das ditaduras militar no Chile,
Argentina e Brasil.
Agora nesse momento está em curso uma tentativa de golpe
contra Fernando Lugo, presidente do Paraguai. Com minoria no parlamento, seu
pedido de impeachment foi aprovado e
ele terá horas para defender seu mandato.
Pessoas no país já começam a ir às ruas para evitar
o golpe. Assista aqui
Os presidentes da Unasul (União de Nações
Sul-americanas) já se manifestaram contra o golpe. Assista aqui
Lugo é ex-padre e é socialista. Defende que seu
governo seja um governo socialista, mas sempre dentro das regras constitucionais
do Paraguai. O debate da possibilidade disso não cabe aqui.
O centro aqui é a denúncia de golpe contra seu
governo democrática e legitimamente eleito pelo povo daquele país.
Se Lugo cair, não me espantaria um onda de golpes
em países latino-americanos como tivemos nos anos 50 e 60. Claro que de uma
forma muito mais sutil.
As elites latino-americanas não suportam a ideia de
se ter governantes ligados ao povo. Seu senhor, o “Tio Sam” também não. É preciso
estar atento a esses acontecimentos no Paraguai.
Toda solidariedade ao povo paraguaio!
Não ao golpe de Estado da direita paraguaia!

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