quarta-feira, 20 de junho de 2012

O proselitismo de Erundina


Muito chororô por causa da aliança com Maluf. Como se aliança pragmática em eleições não existissem ou fossem coisa de outro mundo. O exercício da democracia no Brasil não privilegia o debate programático. E além do mais não existe novidade no apoio do Maluf ao PT. Leia mais aqui

Todos os partidos tem o direito de montar suas táticas eleitorais e de autoconstrução. É legitimo. O objetivo de um partido político é a busca pelo poder político.

Toda essa agonia de parte da militância, principalmente em São Paulo, não se justifica. Não é a primeira vez que essa aliança eleitoral ocorre. Nem alianças desse perfil só ocorrem em São Paulo. Tampouco só com o PT.

O PSOL, por exemplo, fechou aliança com o DEM e o PSDB em Resende, cidade do Rio de Janeiro para as próximas eleições. Leia aqui

O PSB de Erundina, que desistiu de ser vice de Haddad por conta dessa aliança é base do PSDB em SP. Seu partido integra a base de apoio do Alckmin. Em Alagoas, o vice na chapa do Carimbão, deputado federal e pré-candidato a prefeito de Maceió pelo PSB, deve ser do PP, partido do Maluf.


Maluf também é base do Alckmin. Nessa hora a grande imprensa não o acha ruim, nem questiona a aliança.

Será porque reconhece e assume que são iguais ou porque é só a sanha de deturpação da realidade mesmo?

Porque Erundina, que participou do governo do Itamar Franco, não cobra coerência do PSB agora e desiste do partido?

Puro proselitismo.

Essa aliança abalou a candidatura do Serra. Ou alguém acha que nos bastidores não circulam pesquisas que apontam os rumos da disputa. A escolha de Maluf também é pragmática. Haddad vai vencer a eleição.

O PSB tenta se construir como alternativa para 2014. Com o Eduardo Campos, e vê seu projeto ruir. Daí a agonia. Ele chegou a afirmar que se o PT de Alagoas não apoiasse o Carimbão em Maceió, Erundina não seria o vice do Haddad.

Tem muito remix nesse mix.

O que não pode é a militância roer a corda da grande imprensa e ficar de chororô. É isso que a direita quer. Não vamos vencer a eleição em São Paulo pra fazer socialismo. Precisamos vencer em São Paulo para melhorar a vida do povo paulistano, pra intervir com mais força na política nacional.

O “se doendo” da grande imprensa é porque esta aliança abala a campanha deles. Repito isso aqui.

A forma das alianças eleitorais no Brasil só reforça a necessidade da Reforma Política. Que amplie a participação popular, que empodere o partidos, sob a ótica programática, que diminua o personalismo e que retire das campanhas dinheiro privado porque parlamentar não pode ser office boy de empresa.

O próprio eleitor (a) não tem coerência (essa cobrada) na hora de votar. Vota um nome de um partido X para prefeito e num partido opositor pra vereador. É assim com presidente, governador, deputados e senadores. Vota por que é amigo ou porque vai ter emprego. E depois reclama de corrupção.

Não se pode querer que se tenha uma coerência rígida na política se a parte mais importante dela, o povo, não a tem.

A coerência da Erundina não tem a espessura de um fio de cabelo de sapo. Pelo menos essa que ela, oportunisticamente, se banha na propagada pela grande mídia que, infelizmente, alguns militantes e jornalistas que não se alinham ao PIG roeram a corda.


(Sem falar que para a grande imprensa é muito bom esse "esqeucimento" da CPMI do Cahoeira / Veja)


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