quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quem é mesmo contra a liberdade de imprensa?

É discurso recorrente dos setores conservadores, com mais força na grande imprensa, de que regulamentar a comunicação social, em especial a mídia eletrônica, é ataque à democracia. Criticar a imprensa é coisa de quem quer calá-la. Se a crítica vier da esquerda, aí que a coisa vira quase uma cruzada.

Foi esse espírito que norteou o encontro da SIP (sigla em espanhol para Sociedade Interamericana de Imprensa) no Brasil, terminado antes de ontem. Alardou-se um ataque orquestrado contra a liberdade de imprensa na América Latina. Falou-se de Argentina, onde está se derrubando a passos largos o monopólio do grupo Clárin.

Para se ter uma ideia, é como se no Brasil só a Globo, mas só a Globo mesmo controlasse tudo. Papel imprensa, TV, rádios e internet. Esse é o tamanho do Clárin na Argentina.

Também acusou-se outros países de nosso continente. Equador, Venezuela e até o Brasil chegou a ser citado no encontro por Júlio César Mesquita, diretor do grupo Estado.

O que na SIP ninguém falou é que no Brasil os artigos constitucionais que versam sobre os meios de comunicação necessitam de regulamentação e até hoje, 24 anos depois de promulgada a Constituição, nada foi feito. O que se quer, tanto aqui no Brasil, quanto em outros países da América do Sul é democratizar a comunicação, quebrando monopólios e oligopólios da comunicação.


Ou você que lê isso agora acha justo que num país do tamanho do Brasil uma única emissora de televisão tenha a força que tem a Globo? Que receba sozinha quase toda a verba publicitária do país, pública ou privada, mesmo tendo sua audiência em queda? É justo?

Nossa Constituição diz que é proibido o oligopólio. Ou seja, um mesmo grupo não pode ter uma TV, emissoras de rádio e jornais impressos. A internet é posterior à Constituição.

Somente com o fim dos oligopólios poderemos afirmar que existe liberdade de expressão e liberdade de imprensa no Brasil.

Ontem em entrevista à rádio CBN em São Paulo o eternamente candidato José Serra não respondeu uma pergunta feita pelo âncora da emissora Kennedy Alencar sobre o kit anti-homofobia feita pelo governo de São Paulo em 2009. o kit, conforme apurou uma jornalista da Folha de São Paulo é similar ao kit do MEC elaborada na gestão de Haddad.

Não é a primeira vez que Serra agride jornalistas. Não faltam imagens e vídeos suas em agressão a quem lhe faz perguntas que não o agradam.

Agora se fosse o Lula que agredisse um jornalista? Qual a repercussão que você que lê esta postagem acha que a autoproclamada grande imprensa daria?

Não há um só registro de Lula agredindo qualquer jornalista que seja.

Quem realmente é contra a liberdade de imprensa no Brasil?

Essa diferença no trato é apenas mais um aspecto da partidarização de nossa imprensa e mais um argumento sobre a necessidade da regulamentação dos meios de comunicação no Brasil.

A grande imprensa brasileira realiza entrevistas sem fita, arma denúncias sem fato, edita imagens para distorcer a realidade, é extremamente conservadora e atenda a interesses nem um pouco democráticos. Fortalece a coronéis regionais e sistematicamente ataca a democracia no Brasil fazendo crer que julgamentos sem provas são a salvação do Estado democrático de direito no país.

Duvido que se, por ventura, o STF resolver julgar o “mensalão” do PSDB – onde até FHC, na lista de FURNAS está envolvido diretamente com o recebimento de mais de R$ 500 mil – com a mesma sanha”justiceira” a postura da grande imprensa será a novelesca que estamos presenciando.

O que se quer é apenas a Constituição. Nem mais, nem menos.

Abaixo veja o chilique do Serra com o jornalista Kennedy Alencar

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