É
discurso recorrente dos setores conservadores, com mais força na
grande imprensa, de que regulamentar a comunicação social, em
especial a mídia eletrônica, é ataque à democracia. Criticar a
imprensa é coisa de quem quer calá-la. Se a crítica vier da
esquerda, aí que a coisa vira quase uma cruzada.
Foi esse
espírito que norteou o encontro da SIP (sigla em espanhol para
Sociedade Interamericana de Imprensa) no Brasil, terminado antes de ontem.
Alardou-se um ataque orquestrado contra a liberdade de imprensa na
América Latina. Falou-se de Argentina, onde está se derrubando a
passos largos o monopólio do grupo Clárin.
Para se
ter uma ideia, é como se no Brasil só a Globo, mas só a Globo
mesmo controlasse tudo. Papel imprensa, TV, rádios e internet. Esse
é o tamanho do Clárin na Argentina.
Também
acusou-se outros países de nosso continente. Equador, Venezuela e até
o Brasil chegou a ser citado no encontro por Júlio César Mesquita,
diretor do grupo Estado.
O que na
SIP ninguém falou é que no Brasil os artigos constitucionais que
versam sobre os meios de comunicação necessitam de regulamentação
e até hoje, 24 anos depois de promulgada a Constituição, nada foi
feito. O que se quer, tanto aqui no Brasil, quanto em outros países
da América do Sul é democratizar a comunicação, quebrando
monopólios e oligopólios da comunicação.
Ou você
que lê isso agora acha justo que num país do tamanho do Brasil uma única emissora de televisão tenha a força que tem a Globo? Que
receba sozinha quase toda a verba publicitária do país, pública ou
privada, mesmo tendo sua audiência em queda? É justo?
Nossa
Constituição diz que é proibido o oligopólio. Ou seja, um mesmo
grupo não pode ter uma TV, emissoras de rádio e jornais impressos.
A internet é posterior à Constituição.
Somente
com o fim dos oligopólios poderemos afirmar que existe liberdade de
expressão e liberdade de imprensa no Brasil.
Ontem em
entrevista à rádio CBN em São Paulo o eternamente candidato José
Serra não respondeu uma pergunta feita pelo âncora da emissora
Kennedy Alencar sobre o kit anti-homofobia feita pelo governo de São
Paulo em 2009. o kit, conforme apurou uma jornalista da Folha de São
Paulo é similar ao kit do MEC elaborada na gestão de Haddad.
Não é a
primeira vez que Serra agride jornalistas. Não faltam imagens e
vídeos suas em agressão a quem lhe faz perguntas que não o
agradam.
Agora se
fosse o Lula que agredisse um jornalista? Qual a repercussão que
você que lê esta postagem acha que a autoproclamada grande imprensa
daria?
Não há
um só registro de Lula agredindo qualquer jornalista que seja.
Quem realmente é contra a liberdade de imprensa no Brasil?
Essa
diferença no trato é apenas mais um aspecto da partidarização de
nossa imprensa e mais um argumento sobre a necessidade da
regulamentação dos meios de comunicação no Brasil.
A grande
imprensa brasileira realiza entrevistas sem fita, arma denúncias sem
fato, edita imagens para distorcer a realidade, é extremamente
conservadora e atenda a interesses nem um pouco democráticos.
Fortalece a coronéis regionais e sistematicamente ataca a democracia
no Brasil fazendo crer que julgamentos sem provas são a salvação
do Estado democrático de direito no país.
Duvido
que se, por ventura, o STF resolver julgar o “mensalão” do PSDB
– onde até FHC, na lista de FURNAS está envolvido diretamente com
o recebimento de mais de R$ 500 mil – com a mesma sanha”justiceira”
a postura da grande imprensa será a novelesca que estamos
presenciando.
O que se quer é apenas a Constituição. Nem mais, nem menos.
Abaixo
veja o chilique do Serra com o jornalista Kennedy Alencar

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