Imagine
se você fosse o detentor da informação que circula no país. Que
você e mais alguns poucos amigos que determinam o quê, como e
quando qualquer assunto será divulgado. Imagine que você e sua
turma determina os gostos, as orientações de conduta, desde peças
de roupa à orientação política de uma população.
Já
pensou você e seus amigos dizendo o que fazer, como fazer e quando
fazer a todos – sem qualquer controle ou norma, tudo a bel prazer –
e qualquer questionamento vocês transformam logo em ataques ao bem
comum?
Que
maravilha, não?
Ter uma
massa de milhões de pessoas seguindo suas orientações sobre tudo,
até sobre suas relações pessoais, e ainda fazendo pensar que se
tem acesso a fatos do dia a dia, da forma como ocorreram sem o menor
desvio.
E toda
essa gente parte em sua defesa e de seus amigos, quando os poucos que
questionarem seu poder expondo suas ideias.
É quase
um poder divino.
Essa é a
relação das famílias Marinho, das Organizações Globo; Civita de
editora Abril; Mesquita do grupo Estado e Frias do grupo Folha. Essas
quatro famílias, mais dois ou três grupos regionalizados como a
RBS, formam o grupo de amigos que dominam o acesso a informação no
Brasil.
Quem os
questiona se torna inimigo público número 1 e pária da sociedade.
Sem falar em um pretenso ditador destruidor das liberdades e da
imprensa livre.
Todos os
grupos citados apoiaram a ditadura no Brasil. Apoiam o golpe no
Paraguai. Apoiaram o golpe em Honduras e as tentativas na Venezuela e
Equador. O grupo Folha chegou a emprestar carros do jornal para
militares “caçarem” opositores ao regime.
São o
que são por causa do Estado brasileiro. E ao menor sinal de perda de
todo esse poderio, fazem o que bem entenderem para mantê-lo. Vale
tudo. Desde arapongagem à divulgação pura e simples de mentiras
deslavadas.
Exemplos
não faltam. Os melhores são os editoriais. Quando qualquer
resquício progressista ascendeu aos governos centrais ou estaduais,
“mar de lama”; no regime militar, país das maravilhas.
Manipulação
de pesquisas nas eleições no Rio de Janeiro em 82; edição do
debate presidencial de 1989 entre Lula e Collor no Jornal Nacional;
capas de Veja; bolinha de papel; ficha do DOPS falsa de Dilma, são
alguns exemplos de como a informação é passada. Ou não é
passada.
Além da
inversão propriamente dita, existe a ocultação. Simplesmente fatos
que vão de encontro aos interesses dos “amigos” não são
divulgados.
Simples
assim.
O poder
desses grupos é tão grande que muitas de suas ações nem mais são
feitas com discrição. O melhor exemplo é a relação de Policarpo
Júnior, de Veja, com a quadrilha do bicheiro Cachoeira. Aliás
vários jornalistas se envolveram com o esquema.
Nomes
conhecidos como Cláudio Humberto, recebeu R$ 187,7 mil reais em um
contrato, via Delta – empresa de Cachoeira – para o governo de
Goiás de Marconi Perillo.
A
imprensa no Brasil é livre. Livre da lei.
Não foi
a toa a pressão sofrida para retirar do relatório da CPI do
Cachoeira os nomes dos jornalistas envolvidos. Entre os mais
dedicados estava Ricardo Noblat, cujo a esposa esta envolvida num
desvio de R$ 33 milhões do Incra no governo FHC. O processo,
inclusive, foi arquivado por estar em vias de prescrever.
E tem
gente que acha que o “mensalão” do PSDB será julgado.
O pior
disso tudo é que a Constituição brasileira prevê a não
existência de monopólios e oligopólios na comunicação no país.
Mas os artigos que tratam da comunicação social precisam ser
regulamentados. Ai que impera a libertinagem. Desde de 1988, ano da
promulgação da nossa Carta Magna, que esses artigos esperam a sua
regulamentação.
Se você
defende a regulamentação dos meios de comunicação, vá para a
Inglaterra. Lá eles ainda tem família real, mas o debate sobre os
limites da imprensa e sua regulamentação se dá sem o deboche das
acusações de ataque à liberdade de imprensa e expressão. É isso
que são essas acusações: deboche.
Na
França, em Portugal, no Canadá, na Alemanha, Espanha, Reino Unido,
Uruguai e Argentina existe regulamentação dos meios de comunicação,
inclusive com órgão regulador. O modelo argentino foi elogiado pela
ONU, para o ódio de alguns.
Aqui no
Brasil, se você defende a Constituição e quer a liberdade de
imprensa e de expressão de verdade, será tachado de ditador ou
coisa que o valha.
Malcom X,
lutador pelos direitos civis nos EUA em meados do século XX, afirmou que a imprensa “pode
fazer um criminoso parecer que é a vítima e fazer a vítima parecer
que é o criminoso. Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável.
Se você não for cuidadoso, os jornais terão você odiando as
pessoas que estão sendo oprimidas e amando as pessoas que estão
fazendo a opressão.”
Qualquer
semelhança com os dias atuais não é mera coincidência.

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