Numa disputa eleitoral, existem duas circunstâncias. Uma delas é a composição partidária. É essa que dá musculatura política, arco de apoios, tempo de propaganda. A outra é a eleitoral, propriamente dita.
João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, tem somente a segunda delas. O problema é que isso, muitas vezes, não basta. Sem tempo de propaganda, sem arco de alianças, é muito difícil candidaturas prosperarem, ficando – a depender do caso – aquém daquilo que poderia ter sido.
A primeira delas, a do ambiente partidário, JHC, até 15 de julho, não tem. Faltando poucos dias para o início das convenções, JHC segue isolado, sem alianças. E por mais que venda outa imagem em suas redes sociais, essa água já passou do joelho. Tanto que o neotucano passou a atacar outras candidaturas com o objetivo de forçar apoios a sua.
Podemos citar a ação movida pelo Democracia Cristã, presidido nacionalmente por seu pai, João Caldas, no Supremo Tribunal Federal (STF) para que uma lei recém-criada que altera a regra de idade para assumir mandato como deputado federal seja anulada. A medida beneficia Álvaro Lira, filho de Arthur Lira (PP), que é pré-candidato a deputado federal e cotado para assumir uma das noves vagas de Alagoas naquela Casa.
Ou seja, como até agora não obteve o apoio de Lira, JHC atua para buscar fazê-lo escolher entre o Senado – ao qual é pré-candidato – ou buscar a reeleição como deputado federal. Além do que, sem Lira na corrida ao Senado há mais espaço para qualquer manobra de peças no tabuleiro eleitoral que o ex-prefeito de Maceió queria fazer.
Mas se por acaso Lira decidir apoiar JHC, dará ao neotucano o tempo de propaganda da federação PP/União Brasil, o maior entre as legendas eleitorais.
Outro movimento nesse sentido é a informação de bastidor publicada por Edivaldo Júnior nesta quarta-feira (15) de que se o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (MDB) não apoiar JHC e marchar com Renan Filho (MDB), Lucas Barbosa (PSDB) não terá a legenda para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
Não que isso já não tenha sido ventilado antes, por exemplo no Bnews Alagoas pelo colunista Carlos Victor Costa, mas a proximidade do início do período das convenções eleitorais e a explicitude com que a informação circulou, apontam para uma postura politicamente mais agressiva de JHC, que teria adotado o “ou me apoia ou nem candidato seu filho será”.
Lucas Barbosa filiou-se ao PSDB em 14 de abril. No dia seguinte, Luciano Barbosa afirmou não haver acordo para apoiar JHC para governador. O prefeito de Arapiraca jamais negou publicamente essa possibilidade, mas sempre negou que a filiação de seu filho no PSDB para disputar uma das 27 cadeiras na Assembleia Legislativa ocorreu com essa condição.
Primeiro por que a presença de Lucas Barbosa na chapa tucana à Casa de Tavares Bastos a robustece podendo, então, ajudar ao partido a eleger mais deputados estaduais. Segundo por que, no limite, sua presença poderia impor uma posição de distância em relação à disputa para governador de Luciano Barbosa. Se o prefeito de Arapiraca não ajuda, ao menos não atrapalha.
Inclusive, a filiação de Lucas Barbosa no PSDB rendeu uma série de boatos sobre sua presença como candidato a vice-governador de JHC, mesmo após Ronaldo Lessa (PDT) já ter anunciado ocupar esse lugar na chapa. Outro nome que, vira e mexe, é ventilado, é Célia Rocha, também de Arapiraca.
O problema é que nas últimas semanas, Luciano Barbosa tem sinalizado mais aproximação com o grupo dos Calheiros, participando de agendas e fazendo elogios públicos ao governador Paulo Dantas (MDB). Isso fez Lucas Barbosa participar de uma agenda de JHC em São Miguel dos Campos.
Uma aliança com o PL pode ser formalizada. Nesta quarta-feira (15), o PL desistiu de ação por infidelidade partidária contra vereadores que deixaram o partido e migraram para o PSDB. Alfredo Gaspar, pré-candidato ao Senado pelo PL tem sinalizado aproximação com JHC, mas tem enfrentado resistência interna no partido porque o ex-prefeito de Maceió não declara apoio a Flávio Bolsonaro.
Contudo, o fato é que até a noite de 15 de julho, JHC só tem consigo em sua chapa o PDT, além da federação PSDB/Cidadania, à qual preside em Alagoas.
Ou seja, apesar dos bons números nas pesquisas – nas sérias –, mantendo acirrada a disputa com Renan Filho, JHC não consegue ampliar. Segue isolado. Por quê?
Talvez seja seu histórico – segundo relatos de bastidor – em não cumprir acordos. Talvez seja por sua postura de Rei-Sol. Isso, só quem tem negociado politicamente com JHC sabe dizer com certeza. Mas o fato é que seu isolamento o fez ser mais agressivo com outras candidaturas, tentando pôr uma “faca” em pescoços por aí.
A questão é se atores políticos tarimbados como Arthur Lira e Luciano Barbosa vão esticar a cabeça para a lâmina de João Henrique Caldas. A história diz que não.
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