Blog do Cadu: Rombo da oposição: só em casas foram 620 mil

sábado, 24 de agosto de 2013

Rombo da oposição: só em casas foram 620 mil

Orbitar o debate político apenas em torno de corrupção é rebaixar a importância que esse tema tem para a construção de um povo. Desmoralizar a política interessa apenas às classe dominantes. Sem ela – a política, gostem ou não, nada muda. Sempre que governos de caráter trabalhista assumem no Brasil, a direita requenta o debate do “mar de lama”. Qualquer um que tenha estudado História honestamente, pode verificar isso.

Desde o primeiro mandato de Lula que a oposição insiste em colocar esse tema no centro da roda. Como se com o fim da corrupção – se é que é possível – acabassem todos os problemas do país. O debate de concepção de sociedade e o papel do Estado como instrumento de garantias às necessidades básicas das pessoas passam ao largo.

Outro fator a ser levando em conta é que quem insiste nessa tática de desvio de foco do debate não tem moral para fazê-lo, direta ou indiretamente. PSDB, Globo, Itau, Natura, Aécio Neves, José Serra, Fernando Henrique Cardoso (FHC) e toda a patota, devem ou desviaram bilhões de reais, mas posam de paladinos da pureza cívica.


FHC além de ter comprado votos de parlamentares para garantir a aprovação da reeleição no Congresso Nacional, consta como beneficiário da omitida, porém não esquecida Lista de Furnas que abasteceu boa parte do tucanato de alta plumagem. No esquema do metrô de São Paulo, principal ninho tucano, foram desviados algo em torno de 500 milhões de reais desde o tempo do falecido Mário Covas. Até uma conta bancária na Suíça foi aberta para guardar a poupança gerada dos trilhos paulistanos. Segundo informações da justiça, havia 64 milhões de reais nela.

Junte isso ao valor desviado das privatizações promovidas pelo PSDB que somam em torno de três bilhões de reais. Aécio Neves, novo queridinho da direita, é réu em um processo por desvio de recursos da saúde em Minas Gerais na ordem de 4,3 bilhões de reais. [Atualizado às 14h44min: O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, arquivou o processo contra Aécio.]

Entre os apoiadores da oposição, aí se inclui Marina Silva, a realidade não é diferente. O Banco Itau Unibanco, principal patrocinador dos opositores de Dilma, deve à Receita Federal 18,7 bilhões de reais. A Natura, empresa de cosméticos de Guilherme Leal, vice na chapa do Partido Verde em 2010 e “marineiro” de primeira hora deve ao leão R$ 628 milhões e foi autuada em janeiro desse ano. Fora as dívidas trabalhistas na qual a empresa “defensora do meio ambiente” é campeã. Recentemente foi descoberta a dívida da Globo no valor de R$ 615 milhões.

Se sua tática em um embate político é o moralismo, não tenha telhado de vidro. Não seja mais sujo que pau de galinheiro. Se somarmos os valores desviados e devidos à receita Federal - o que na prática é desvio também, chegamos a bagatela de R$ 24,8 bilhões.

O custo médio de uma residência construída pelo programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal é de 40 mil reais. O montante desviado daria para construir algo próximo de 620 mil casas. O mesmo valor daria para construir 17 mil postos de saúde com 635,42 m² de área construída ou 7.655 escolas com 12 salas de aula e com 2.945 m² para atender 432 estudantes. Os dados são do Ministério da Educação (MEC) e das casas e postos de saúde são do portal da revista Construção e Mercado.

É mais que evidente que quem deseja o fim do Bolsa Família, que chega a defender que os beneficiários desse programa percam seu direito ao voto, apoiam a oposição ao governo Dilma. O valor de 24,8 bilhões desviados é quase um bilhão a mais que orçamento do programa em 2013 que chega a 23,9 bilhões. Mas a meritocracia e o moralismo seletivos ignoram esse fato.

A diferença é que o Bolsa Família ajuda na promoção da igualdade e da melhoria da qualidade de vida dos mais pobres, enquanto que os desvios da oposição apenas garantem luxo e poder de uma minoria que não gosta do Brasil. Gostam da França, da Suíça e no fundo sonham em se tornarem algo que não são: nobreza. Lembre-se disso na hora de votar em 2014.


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