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João Henrique Caldas, prefeito de Maceió e conhecido como JHC, tem voto, mas não tem partido, um grupo consolidado em torno de si. O que ele chama de grupo não é dele, é da caneta que possui, que é a da prefeitura de Maceió. O mais próximo a grupo que JHC é seu vice, Rodrigo Cunha, mas esse não tem voto. Ao menos, não com dimensão suficiente para jogar peso numa eleição.
JHC sempre se vendeu como uma cara que não participar de grupos, que não faz acordo e que “tem o povo”. Mas agora, está aprendendo que partido é um ativo político e eleitoral, que ter grupo, de fato, garante perenidade política para períodos de turbulência.
JHC foi reeleito prefeito de Maceió com mais de 80% dos votos válidos e achou que isso bastava para ele ditar os rumos – ou, pelo menos, sentar na mesa da política com voz de comando –, mas Arthur Lira mostrou a ele que a vida não é um arco-íris.
E em boa medida, os Calheiros também fizeram isso.
Mas vamos focar aqui na relação Lira/JHC e adjacentes.
Desde que foi reeleito, JHC começou a querer bancar o sabido e o mal do sabido é achar que todo mundo é burro.
Para garantir a tia, Marluce Caldas, no STJ, JHC começou a flertar com Lula e com os Calheiros.
Seu segundo mandato na prefeitura de Maceió começou com ele em Brasília, fazendo tour pelos gabinetes governamentais. Isso depois de ir a uma homenagem à primeira-dama Janja em São Paulo.
JHC conseguiu emplacar a tia no STJ, mas não sem firmar um acordo de que não seria candidato a nada, apoiaria Renan Filho para governador, Renan Calheiros e Arthur Lira para o Senado e Lula para presidente. Inclusive, deixando o PL para migrar para um partido qualquer da base de apoio.
Nesse meio tempo, os Calheiros se empenharam pela indicação de Marluce Caldas ao STJ. Lira, não.
Ah, e aqui deixando de lado as frustrações entre Lira e JHC na aliança em torno das secretarias da prefeitura de Maceió.
Após Marluce Caldas assumir no STJ, JHC volta a dialogar com Arthur Lira, mas sem deixar de dialogar com o Planalto/Calheiros para as eleições deste ano.
JHC reuniu com Lira e Alfredo Gaspar e fechou chapa com os dois para o Senado. Depois, reuniu com José Dirceu e garantiu que cumpriria o acordo para sua tia ir para o STJ.
Nesse balé de duas caras, deixaram JHC levar para ver até onde ele ia.
JHC começou a pleitear que queria ser candidato governador e sua esposa, Marina Cândia, candidata ao Senado. Mas nos bastidores, ventilava ser candidato ao Senado – o que os Calheiros topavam – e Marina Cândia candidata a deputada federal.
JHC até se mexeu nesse sentido, buscando montar chapa para eleger a primeira-dama de Maceió à Câmara dos Deputados.
Num dado momento, circulou nos bastidores que ele não seria candidato a nada, mas tendo Marina Cândia ou como candidata a deputada federal ou ao Senado.
Ou seja, ele ficou brincando com gente grande.
Agora, faltando poucos dias para o limite para desincompatibilização, JHC foi encurralado.
Lira articulou por cima e o PL, através de Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro, impôs que ele só pode ser candidato a governador, se continuasse no PL.
Mas JHC, segundo o noticiário, deve migrar para o PSDB. Alguns dão como certo, mas diante do histórico, só vale quando ele mesmo se pronunciar a respeito e não deixar para aliados a função de espalhar a notícia.
Nesta sexta-feira, 20 de março, Lira lançou sua pré-candidatura ao Senado e pretendia “formalizar” JHC ao governo do Estado. Mas JHC não foi ao ato de Lira que contou com vários deputados federais de Alagoas, com deputados estaduais, vereadores do interior – e Siderlane Mendonça, único de Maceió e que é também aliado de JHC – e muitos prefeitos alagoanos. Inclusive do MDB, de Renan Calheiros e de Renan Filho.
Ouso dizer que, por baixo, 95% dos prefeitos de Alagoas votam tanto em Arthur Lira quanto em Renan Calheiros para o Senado, independente de sigla partidária.
JHC reuniu 10 vereadores entre o fim da tarde e começo da noite desta sexta-feira (20). Inclusive, Siderlane Mendonça.
Ao postar a foto da reunião, JHC apenas colocou na legenda “ao lado de gigantes”.
Os vereadores que já postaram a mesma foto, até o momento em que escreve este artigo, confirmam que ele será candidato a governador. Mas segundo o noticiário, não será pelo PL, pois no PL, JHC não está na cabine de comando.
Confirmada sua ida ao PSDB, ou qualquer outro partido, JHC não terá uma chapa forte de deputados federais nem de estaduais. A base do que ele estava montando era os vereadores de Maceió, que ele fez se filiarem ao PL, mas que JHC não poderá contar numa chapa porque estes parlamentares não podem trocar de partido agora porque a janela partidária deste ano é somente para deputados estaduais e federais.
Se os vereadores trocarem de partido, salvo se forem para um recém-criado, podem perder os mandatos, mas também isso não quer dizer que os vereadores são obrigados a apoiar qualquer que seja o nome do PL para o que quer que seja. Formalidade é uma coisa, adesão política é outra.
E esse é único revés que o PL terá, para as eleições deste ano, com o rompimento com JHC.
Mas JHC pode puxar um nome que, tecnicamente, está ao lado de Lira: Alfredo Gaspar.
Gaspar sabe que se ficar no União Brasil, que forma federação com o PP de Arthur Lira, possivelmente não terá candidatura ao Senado vendo a luz do dia.
Se Gaspar quiser mesmo ser senador, para garantir, terá que sair do União do Brasil e ir para uma legenda que Lira não tem gerência “por cima”.
JHC fora do PL não terá o mesmo tempo de rádio e TV, o mesmo fundo eleitoral que o PL, e dificilmente conseguirá formar coligação. Ou seja, será, institucionalmente falando, uma candidatura nanica. Com votos, principalmente, em Maceió, mas sem tempo de TV, sem chapas proporcionais e sem recursos robustos do fundo eleitoral.
No PSDB alagoano, esse quadro se agrava a tal ponto que cabe questionar, seriamente, se ele será mesmo candidato a governador.
Se JHC ficar sem mandato, e aqui contando com uma derrota também da esposa, vai definhar politicamente.
O que ele chama de grupo se dá em volta de sua caneta. Não por ele. E agora, diante das condições objetivas, a chance de ficar sem o mel e sem a cabaça aumentaram.
Mas se ele decidir terminar o mandato, adia o problema de ficar sem mandato dois anos para frente.
O problema é que ele vai romper o acordo que fez com o vice, Rodrigo Cunha, que era senador e tinha a mãe de JHC, Eudócia Caldas como suplente. Eudócia assumiu o mandato no Senado após Rodrigo assumir a vice-prefeitura.
Contudo, a relação com o vice é o menor dos problemas. Se decidir ficar, pode construir Rodrigo para sucedê-lo em 2028. A promessa aí é que em vez de Rodrigo ser prefeito de Maceió por, no máximo 6 anos, poderá ser por 8 anos.
O senão aí é que as nuvens não param de se mexer e política é como nuvem, bateu um vento e ela não está no mesmo lugar. E até 2028 muita coisa pode e vai acontecer.
Mesmo que JHC e Lira se acertem para as eleições deste ano, JHC – mesmo com muitos votos – será coadjuvante nesse jogo. Ele não será candidato a governador porque quis e abrindo mão de possibilidades, mas por uma imposição surgida porque resolveu fazer joguinhos com gente grande.
O saldo da terceira semana de março é que JHC perdeu uma legenda eleitoral forte; ficou sem chapas para deputado; e em boa medida, facilitou a situação eleitoral de Renan Filho que, além de ser extremamente forte em Alagoas, conta com o apoio do governador Paulo Dantas, cuja aprovação supera 60%. Nunca um governador com essa aprovação deixou de ser reeleito ou eleger sucessor.
O único espaço JHC pode fazer embaralho é na disputa ao Senado, mas, mesmo assim, seria em condições muito piores do que antes de sair do PL.
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