segunda-feira, 20 de abril de 2026

Sobre o possível vai e vem de Ronaldo Lessa


Neste domingo, 19 de abril, saiu a informação de que Ronaldo Lessa (PDT) estaria para deixar a aliança com o MDB e voltar a compor com JHC, agora no PSDB, para as eleições deste ano ou como candidato a vice-governador ou como candidato ao Senado.

Se isso, de fato, ocorrer, mexe com o tabuleiro eleitoral, deixando algumas perguntas a serem respondidas. Para mim, as mais importante são:

Lessa como candidato ao Senado na chapa de JHC vai compor dupla com Marina Cândia, ex-primeira-dama de Maceió?

Lessa como candidato – ou a vice-governador ou ao Senado – fará o PL, agora presidido por Alfredo Gaspar em Alagoas, se afastar o ex-prefeito de Maceió?

Gaspar afirmou que dialoga com JHC desde que não tenha nenhum candidato na chapa ligado à esquerda ou vão esquecer o que disseram antes? Ronaldo Lessa é quadro histórico da esquerda alagoana.

Por que os Calheiros não dão uma das vagas ao Senado para Lessa?

Boa parte dos votos de Renan Calheiros ao Senado são inatingíveis para Lessa, especialmente só do interior, fruto de ação parlamentar do emedebista junto a prefeitos alagoanos. Prefeitos, inclusive, que querem dar o outro voto em Arthur Lira (PP).

Agora, os votos de Lessa também seriam, em boa medida, de Renan Calheiros por causa da disputa conta o bolsonarismo.

Em resumo: Lessa não ameaça Renan.

Agora há outro dois aspectos sobre esse movimento de Ronaldo Lessa que, em meu ver, valem comentário. Antes de qualquer coisa, no momento em que escrevo este artigo, Lessa não havia anunciado decisão sobre o tema.

Para JHC, ter Lessa em sua chapa muda pouco em sua votação. Ele já é muito bem avaliado em Maceió e a presença do pedetista tem pouco peso para lhe dar mais votos. Mas é fato que voto par prefeito e votos para governador não são a mesma coisa. Muita gente que votou em JHC para prefeito não votará nele para governador e vice e versa.

Mas pode ser um impeditivo para ele pedir votos para Flávio Bolsonaro. Ou a melhor das desculpas. “Sou do PSDB, que é oposição ao PT. Minha chapa é ampla e para não criar fissuras no grupo, foco a campanha na questão local”. Está aí, síntese do argumento.

Do ponto de vista de Ronaldo Lessa, esse movimento de volta pode fazê-lo figurar entre os não confiáveis na política – pode, não estou afirmando que vai – porque ele foi vice-prefeito de JHC no primeiro mandato, eleito em 2020. Rompeu e foi ser vice-governador de Paulo Dantas (MDB) em 2022.

É correta a busca por espaços na política e o PDT alagoano não vive seu melhor momento, mas esse vai e vem também não é bom e pode fazer Ronaldo Lessa perder força política em vez de ganhar.

Ele já foi o maior nome da esquerda alagoana – e até da política como um todo –, mas pode ficar marcado como mais um que sempre está em busca de galho para se pendurar.

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