| Senador Renan Calheiros durante sessão da CAE - Andressa Anholete/Agência Senado |
O senador Renan Calheiros, presidente da Comissão de Assuntos do Senado (CAE), jogou o envolvimento da prefeitura de Maceió, sob João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, com o Banco Master no ventilador durante sessão da Comissão nesta terça-feira (12). O Município de Maceió, sob o comando do neotucano, aportou R$ 117 milhões do Instituto de Previdência (Iprev) nas letras podres do banco de Daniel Vorcaro.
Este é o maior calo que JHC possui, ao ponto de ele sempre buscar cercear o debate público acerca do tema. Sites, jornais, jornalistas, comentaristas, todos que falaram sobre o tema foram processados por JHC numa clara tentativa de lawfare e para fingir que nunca teve nenhuma relação com o Master.
E nem se trata de apontar dolo, mas apenas questionar que ações a prefeitura de Maceió – ou o Iprev – tomarão para ressarcir os cofres públicos e, por óbvio, manter a população ciente do que a gestão de JHC fez com o dinheiro dos aposentados do Município.
Além do aporte de R$ 117 milhões no Banco Master, JHC vendeu a folha de pagamentos do funcionalismo público ao Banco Regional de Brasília (BRB), que faz dupla com o Master neste escândalo político-financeiro que domina o noticiário nacional.
Maceió foi a única capital de estado que pôs recursos de sua previdência no banco de Daniel Vorcaro, sendo o maior município e o terceiro ente federativo – no geral – a investir naquelas letras podres, ficando atrás somente do estado do Rio de Janeiro e do estado do Amapá.
JHC jamais veio público explicar essa movimentação financeira. Talvez por que não pegasse muito bem dizer que estava em busca da alta rentabilidade de CDI oferecida pelo Master ou pela dificuldade em convencer as pessoas de que não havia conhecimento da real situação do banco de Vorcaro.
Agora, o senador Renan Calheiros trouxe à baila mais um elemento disso tudo, que foi a participação do conselho do Iprev de Maceió na aprovação do aporte financeiro no Master. O parlamentar, durante sessão do CAE, afirmou que assinaturas de membros deste órgão forma fraudadas.
Sendo verdade, isso tudo vai a outro patamar.
Na campanha eleitoral, JHC vai ter que explicar isso tudo, ou desdenhará da inteligência de seu eleitorado.
O grau de irregularidades e dolo no aporte de dinheiro dos aposentados do Município de Maceió só saberemos com o tempo, na medida em que investigações passarem a mostrar resultado.
Mas o fato objetivo que já é possível cravar após a fala do senador Renan Calheiros é o tal acordo de Brasília – se é que se deu da forma como foi publicizado – acabou, mesmo ele nunca sendo, de fato, factível.
Além de muito ruim para JHC, que o topou para garantir sua tia Marluce Caldas no Superior Tribunal de Justiça, os bastidores da política alagoana sempre apontaram o ex-prefeito de Maceió como um não cumpridor de acordos.
Sinceramente, não fazia nem sentido esperar que essa conversa visse a luz do dia.
Agora, é preciso esperar os próximos passos: até onde a CAE do Senado, comandada por Renan Calheiros vai apurar a relação banco Master/prefeitura de Maceió; e o que fará JHC diante dessa iminente ofensiva.
Será que vai processar o senador Renan Calheiros para que a CAE do Senado não trate publicamente sobre o tema, assim como fez com sites, jornais e jornalistas? Ou processar a própria CAE ou o próprio Senado?...
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