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segunda-feira, 31 de março de 2014

Até breve

Após setes anos e mais de 1300 postagens, o Blog do Cadu vai parar. Esse foi um espaço criado para expor ideias e mostrar argumentos diferentes da mídia grande.

Decidi parar o Blog para tentar outras coisas. E como muitos sabem, estou cursando Jornalismo e quero tentar me dedicar mais ao curso e ao aprendizado na área. Quero tentar outras coisas. Mas um dia pretendo voltar a “blogar”.

Muita gente que não acredita em militância política jura de pé junto que eu era pago para escrever no Blog. Jamais recebi um vintém de quem quer que seja para expor minhas ideias. Sempre escrevi apenas para fomentar o debate e, como dito acima, expor ideias diferentes da mídia grande. E só.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Dilma na Folha de S. Paulo


                                                                             Fonte: UOL

A presidenta Dilma Rousseff concedeu entrevista à Folha de S. Paulo desse domingo (28/07). Nela podemos ver claramente que as perguntas são derivadas das invencionices dos editoriais da “grande imprensa”. Perguntas como se ministros da Dilma choraram após tomarem bronca. Tive a sensação de que a repórter da Folha acompanha o planalto pelo Kibe Louco.

Outra é tentar criar algum destempero entre ela e Lula ou fazê-la comentar sobre sucessão presidencial em 2014. Realmente a Folha pensa que Dilma é um poste. Talvez por isso a direita não tenha candidato, nem agenda para além do terrorismo midiático e do obscurantismo.

As melhores partes são quando Dilma fala do emprego, PIB e inflação. Coisas que ela deveria ir às cadeias de rádio e tevê toda semana desfazer o maquiamento da realidade orquestrada pelos redatores do quarteto do apocalipse midiático: Globo, Veja, Folha e Estadão. Também merece destaque a pergunta sobre o programa Mais Médicos.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Explosão da Deic: 'Nasci novamente'

Marcos Humberto tem 29 anos e é formado em Engenharia Agrônoma com especialização em Segurança do Trabalho. É professor de Produção sucroalcooleira e Webdesing da Microlins, rede de escolas de cursos profissionalizantes espalhada por todo território nacional.

Humberto relata como ele, colegas e estudantes reagiram à explosão da sede da Divisão de Investigação e Capturas (Deic) da Polícia Civil de Alagoas. Revela também a emoção de voltar ao local onde funciona a escola e ver tudo destruído. Para ele, sua vida recomeçou.


Como foi que você percebeu que a DEIC estava explodindo?
Na instituição haviam poucas pessoas, alguns professores e funcionários. Por volta das 18h e 10min houve um principio de incêndio atrás da sala da coordenação que veio acompanhado de disparos que pareciam armas de fogo. As chamas aumentaram e os disparos também, então todos começaram a correr. Quando os disparos pararam, voltei para buscar meu carro. Entrei no carro e sai em marcha ré, foi então que a primeira explosão aconteceu. Desci a ladeira da entrada da Microlins e aconteceu a segunda explosão.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A maior palhaçada da grande imprensa brasileira






Hoje começa a maior palhaçada da grand eimprensa brasileira de pelo menos, últimos 30 anos.


Sobre isso postagem curta.

Na verdade, reproduzo uma entrevista com Walter Fanganiello Maierovitch, desembargador aposentado e colunista de CartaCapital, sobre a forma como estão (mídia) querendo que se dê o julgamento do suposto “mensalão” e dois links como sugestão de leitura. Um deles, artigo do Paulo Henrique Amorim sobre o comportamento da direita brasileira, especialmente nesses dias e outro do Luiz Carlos azenha sobre o livro “A Privataria Tucana II”. (link’s abaixo)

Boa leitura!

‘Ninguém pode ser condenado por presunções’


A partir das duas da tarde começa o julgamento do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal. Antes da leitura do resumo das acusações e das defesas pelo relator Joaquim Barbosa, advogados dos réus devem apresentar questões de ordem que podem afetar o andamento do processo. A seguir, Walter Fanganiello Maierovitch, desembargador aposentado e colunista de CartaCapital, responde algumas das dúvidas sobre o desenrolar do julgamento.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

FENAJ: "Os jornalistas não estão acima da lei"



Finalmente a FENAJ, ou seu presidente, Celso Schröder, se posicionou sobre a relação Veja / Cachoeira e suas práticas jornalísticas realizadas a partir dessa relação. Leia a entrevista abaixo.


“Veja deve explicações ao país”

A CPI realizada pelo Congresso Nacional que tenta investigar a influência do bicheiro Carlinhos Cachoeira sobre o poder público acabou suscitando um debate tão inesperado quanto necessário no país: a relação da mídia com as esferas de poder, sejam elas políticas ou econômicas.

Por Samir Oliveira*

A Polícia Federal identificou cerca de 200 conversas telefônicas entre o diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e o contraventor. A divulgação dessas escutas mostra que Cachoeira pautava a publicação da editora Abril, que se deixava levar pelos interesses políticos de um empresário fortemente ligado ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM).

Diante desse cenário, alguns parlamentares têm defendido a convocação de Policarpo para depor na CPI, mesmo que o relator Odair Cunha (PT-MG) já tenha rejeitado pedido de informações a respeito. Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, a revista precisa explicar o que guiou sua prática jornalística nesse episódio. “A Veja tem que dar explicações ao Brasil. É preciso explicar como ela exerce a atividade jornalística com essas veleidades, com descompromisso e irresponsabilidade em relação a princípios éticos e técnicos consagrados pelo jornalismo”, entende.

Nesta entrevista ao Sul21, Schröder avalia a conduta da revista nesse e em outros episódios e defende a necessidade de um marco regulatório para a comunicação no país.

“A atuação da Veja foi um anti-Watergate”

sábado, 10 de dezembro de 2011

Demorou, mas chegou... Tucanos tremem

Chega às livrarias ‘A Privataria tucana’, de Amaury Ribeiro Jr. CartaCapital relata o que há no livro*.

Não, não era uma invenção ou uma desculpa esfarrapada. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. realmente preparava um livro sobre as falcatruas das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Neste fim de semana chega às livrarias “A Privataria Tucana”, resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter, que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial.

Na edição que chega às bancas nesta sexta-feira 9, CartaCapital traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 páginas publicado pela Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo). A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.

Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fernando Brito: ‘Omissão criminosa da Chevron-Texaco, cumplicidade escandalosa da mídia’

No dia 10 de novembro, quinta-feira, a Agência Estado publicou esta nota:

“A unidade brasileira da petroleira norte-americana Chevron-Texaco informou que está trabalhando para conter um vazamento no campo Frade, na Bacia de Campos. “O vazamento se deve a uma rachadura no solo do oceano. É um fenômeno natural”, disse Heloisa Marcondes, porta-voz da Chevron-Texaco Brasil.

Por Conceição Lemos*

O campo de Frade, operado pela petroleira estadunidense Chevron-Texaco, fica a 350 km do Rio de Janeiro. O acidente, sabe-se só agora,  aconteceu na segunda-feira, 7 de novembro. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) tomou conhecimento no dia 9, mas só o tornou público no dia 10. O primeiro alerta público foi dado pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro) ainda na quarta-feira, 9.

Nos dias 11, 12, 13, 14 e 15, a mídia se limitou a reproduzir as notas oficiais da Chevron-Texaco e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). E, ainda assim, em matérias pequenas, em pé de página, escondidas. Nenhuma cobrança maior. Aliás, nenhum grande veículo se empenhou para saber o tamanho e a causa do vazamento.

O jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço, do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), não engoliu a versão da empresa e desde o dia 11 começou, solitariamente, a questioná-la. De lá até hoje foram 21 artigos, denunciando o desastre ambiental, o comportamento da mídia e as mentiras da Chevron-Texaco.
“Desde o princípio, achei algumas coisas estranhas, a começar pelo fato de que não houve um tratamento escandaloso do assunto pela mídia, como certamente haveria se o campo em questão fosse operado pela Petrobras”, ironiza Fernando Brito.  “Ah, se fosse a Petrobras, já no dia 11, até os peixes do oceano estariam dando declarações contra a empresa.”

“Além disso, a Chevron-Texaco demorou a admitir o problema e, quando o fez, foi por uma nota marota, dizendo que se tinha detectado o vazamento ‘entre o campo de Frade e o de Roncador – que é operado pela Petrobras”, prossegue Brito. “Na verdade, o problema se deu bem próximo de uma de suas plataformas de perfuração, a Sedco706, da Transocean, a mesma proprietária da Deepwater Horizon, que provocou o acidente no Golfo do México.”

No dia 15, a Polícia Federal entrou no caso e a expectativa era de que a mídia não varreria mais para debaixo do tapete o óleo derramado. Realmente, não deu mais para a grande imprensa ignorar. Porém, não foi a fundo nas circunstâncias que o causaram, apesar de ter todas as condições e facilidades para fazê-lo.


A Sedco 706, plataforma de perfuração da mesma empresa do acidente do Golfo, nas proximidades da qual ocorreu o acidente da Chevron

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“Três estudantes fumando maconha não ameaçam segurança de ninguém”






Na última quinta-feira, 27 de outubro, por volta das 18h, a Polícia Militar deteve três alunos que fumavam maconha num gramado junto ao estacionamento que divide os prédios de Geografia e História da USP, na Cidade Universitária.


Por Conceição Lemes*

Um grupo de estudantes começou a protestar, para evitar as prisões. A manifestação foi ganhando adesões – chegou a cerca de 500 — e a tensão aumentando. Os PMS chamaram reforço. Por volta das 21h30 estavam na USP cerca de 15 viaturas, a Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e aproximadamente 40 policiais militares.

Após quase quatro horas de discussão entre representantes da polícia, estudantes e professores, começou o tumulto. Segundo alguns relatos publicados na mídia, os estudantes gritavam palavras e xingamentos contra a presença da polícia. Irritados, os policiais partiram pra cima do grupo. De acordo com outros relatos, também divulgados na mídia, quando policiais deixavam o local com os três jovens detidos rumo à delegacia, um grupo cercou as viaturas, jogando pedras e outros objetos. A polícia reagiu violentamente, com bombas de gás lacrimogêneo, gás pimenta e cassetete.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

“É preciso que as pessoas queiram exercer o direito à memória e à verdade”


Em entrevista à Carta Maior, Maria do Amparo Almeida Araújo, que combateu a ditadura pela Ação Libertadora Nacional (ALN), fundou o Coletivo Tortura Nunca Mais de Pernambuco e hoje é secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã na Prefeitura do Recife, fala sobre a Comissão da Verdade e os obstáculos para que a memória e a verdade sobre o período da ditadura venham à tona. "É preciso que as pessoas queiram exercer esse direito. Infelizmente, talvez pela distância, pelo tempo, as pessoas não estão muito sensibilizadas com isso", afirma.

Márcio Markman - De Recife, Especial para Carta Maior*

Não há qualquer exagero em afirmar que a alagoana de Palmeira dos Índios, Maria do Amparo Almeida Araújo, 61 anos, tem uma vida dedicada à luta pela liberdade e a defesa dos Direitos Humanos. Após três anos morando em São Paulo, ela ingressou ativamente no combate à ditadura militar, através da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização da qual se tornou militante junto com o irmão mais velho, Luiz. Tinha apenas 17 anos.

Amparo é um exemplo de uma cidadã brasileira que teve a vida marcada pela face mais desumana da ditadura. O irmão Luís está na lista dos militantes desaparecidos. Durante os anos de chumbo, teve ainda três companheiros desaparecidos. Iúri Xavier Pereira, Luiz José da Cunha e Thomaz Antonio da Silva Meireles Neto. Iúri e Luiz José foram mortos por policiais do Doi-Codi, o braço forte da repressão. Thomaz foi preso em 1974, no Rio de Janeiro, e engrossou a lista de desaparecidos políticos.

Entre 1972 e 1977, a família pensou que Amparo também havia sido executada pelas forças reacionárias. Só ficaram sabendo que estava viva quando retornou a Alagoas, no final de 1977, após a dissolução da ALN.

No ano seguinte, ela ruma para o Recife, onde se forma em Serviço Social e permanece de forma ativa na defesa dos ideais libertários e, após a queda do regime militar, na busca pela verdade do que realmente ocorreu com os brasileiros que tiveram seus direitos humanos violados no período da ditadura. Milhares de torturados, assassinados e desaparecidos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Bresser: A dona Dilma, o seu ministro da Fazenda e o seu presidente do Banco Central estão de parabéns


Desde que deixou definitivamente o PSDB – e, com ele, a militância partidária – o advogado, administrador de empresas, economista e cientista político Luiz Carlos Bresser Pereira reencontrou o ninho teórico. Reassumiu, agora sem a timidez imposta por compromissos partidários, o desenvolvimentismo, e tem sido um atento crítico do neoliberalismo.

Por Maria Inês Nassif*

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, Bresser recusa-se a transformar a política fiscal dos governos petistas em vilã de um futuro sombrio. “Existem dois tipos de economistas horríveis: os ortodoxos, para os quais todos os problemas do mundo se resolvem com mais ajuste fiscal, e os keynesianos vulgares, para quem tudo se resolve com mais gasto público”, afirma.

Na sua análise, desde 1998 o país não descuida da questão fiscal. “Esse discurso é burrice”, garante. Inflação deixou de ser o maior dos problemas do Brasil desde o Plano Real, em 1994. Os riscos maiores para o país, diante da crise mundial, são – e desde 1994 – câmbio e juros. Embora o mercado tenha feito um ajuste no preço do dólar, que está em torno de R$ 1,90, esse valor só garante um “equilíbrio corrente”. O “equilíbrio industrial”, que livraria o Brasil do fantasma da doença holandesa (reprimarização da economia), apenas viria com o dólar no patamar de R$ 2,30, e desde que, chegando a esse valor, o governo administrasse para mantê-lo.

Outro mito que Bresser derruba é o de que a autonomia do Banco Central é fundamental para a administração da crise. “O Banco Central é um banco do governo, é parte do governo e tem que fazer a política do governo. Essa história de autonomia do Banco Central não faz nenhum sentido”, afirma. E dá um crédito à administração de Dilma Rouseff: para ele, o Executivo percebeu que deveria ser ativo na condução da economia, para evitar que uma eventual queda da economia chinesa faça muitos estragos: “Dona Dilma, seu ministro da Fazenda [Guido Mantega] e seu presidente do Banco Central [Alexandre Tombini] estão de parabéns”.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Era uma vez... Metas de inflação...


Reproduzo entrevista publicada no Portal Agência Carta Maior – clique aqui



Crise global obriga BC a aposentar regime de metas de inflação

Segundo o coordenador de Análises e Previsões do Ipea, Roberto Messemberg, Banco Central já iniciou substituição do regime de metas por um novo modelo de política monetária. Nesta entrevista, o economista analisa também a evolução do processo inflacionário brasileiro, prevê mais estabilidade de preços em 2012 e critica os juros altos – para ele, "uma renda de monopólio".

Por Marcel Gomes*

SÃO PAULO – Na semana passada, ao divulgar o relatório trimestral de inflação, o Banco Central acenou, mais uma vez, que manterá sua política de redução das taxas de juro. No mercado e na imprensa, economistas e jornalistas criticaram a decisão, sob a justificativa de que autoridade monetária estaria arriscando a credibilidade do regime de metas de inflação, uma vez que a evolução dos preços ainda mantém a taxa anual longe da meta de 4,5%.

Entretanto, para o coordenador da área de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Roberto Messemberg, a crise financeira internacional, iniciada em 2008, tornou o regime de metas “um instrumento tosco para lidar com essa realidade mais complexa”. “O regime de metas foi desenhado para um outro tipo de funcionamento da economia. (...) A política monetária atual (...) precisa monitorar o preço dos ativos em um cenário de taxas de câmbio voláteis e tem a tarefa inglória de determinar se eles estão numa trajetória de bolha”, explica.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Informantes agora armam ciladas para "produzir" terroristas


Mike German foi agente secreto do FBI (Federal Bureau of Investigation) durante 16 anos. Trabalhou no combate ao terrorismo doméstico, às fraudes bancárias e à corrupção no setor público. Nos últimos anos de trabalho na organização, ele se dedicou ao terrorismo interno. Por exemplo, na infiltração de grupos suspeitos.

Por Heloisa Villela, de Washington*

Aparentemente, este tipo de trabalho se tornou supervalorizado nos Estados Unidos depois de 11 de setembro de 2001, mas foi justamente depois dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono que os problemas de Mike começaram, a ponto de levá-lo a deixar o FBI. Hoje, Mike German trabalha para a ACLU – a União Americana para as Liberdades Civis.

Viomundo – Que tipo de mudanças o senhor percebeu que estavam acontecendo, dentro do FBI, depois dos ataques de 11 de setembro?

Mike German – As normas de conduta, criadas nos anos 70, em resposta aos abusos cometidos pelo FBI no programa de contra-inteligência, que espionou americanos que não eram suspeitos de nada, mudaram. Naquela época, usaram truques sujos para impedir as pessoas de divulgarem suas ideias políticas. Por isso, foram criadas as normas de conduta. Mas com o tempo, elas foram modificadas. Principalmente em 2002 quando o procurador-geral da Justiça, John Ashcroft [do governo de George W. Bush], alterou o grau das provas exigidas para permitir ao FBI começar a investigar alguém.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Líbia pós-Gaddafi: “colônia disfarçada”


Reproduzo entrevista do cientista político e diretor do Instituto de Cultura Árabe, José Farhat, sobre a situação da Líbia. Publicado no blog “ O Escrevinhador” – clique aqui.




Com o fim do regime de Gaddafi e às vésperas de uma reunião de líderes mundiais para debater a reconstrução da Líbia, o futuro do país começa a se desenhar. Apesar das dificuldades em desenhar o que virá, o cientista político e diretor do Instituto de Cultura Árabe, José Farhat, aponta algumas certezas: “a tal ‘democracia’ e o ‘futuro’ estão sendo desenhados lá fora e impostos ao povo líbio”.

Para Farhat, ação da OTAN na Líbia é um recado aos povos árabes: “quem não ler pela cartilha terá as forças da OTAN contra ele”. Sobre o interesse das potências no petróleo líbio, Farhat afirma que “a rapina do século está em curso”.

Confira a seguir, a íntegra da entrevista ao Escrevinhador.


O próximo governo líbio está em vias de formação, quem deve assumir o poder?

Bem que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) gostaria de assumir diretamente o poder e dirigir sem interferências e intermediações o controle completo do abundante petróleo líbio e dos investimentos bilionários líbios nos quatro cantos do mundo, quase todos já congelados; mas seria vergonhoso demais, até mesmo para esta organização.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Delfim x Belluzzo - 1ª parte


Diálogo entre Luiz Gonzaga Belluzzo e Delfim Netto sobre a crise econômica. Abaixo a 1ª parte do debate. Retirado do site da CartaCapital (clique aqui)


‘Keynes sofre o mesmo destino de Marx’


Na manhã da quarta-feira 17, CartaCapital reuniu Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo para um debate sobre a crise financeira mundial e os impactos no Brasil. Parte da conversa é publicada na edição especial de aniversário que chega às bancas na sexta-feira 19. No site, a íntegra será publicada em três partes.

Confira abaixo o primeiro trecho da conversa, em que são abordadas questões como os erros em relação à crise de 2008, a desregulamentação do sistema financeiro e a releitura dos clássicos da economia nos tempos atuais.

Luiz Gonzaga Belluzzo: Seria bom ter como ponto de partida o seu artigo de hoje na Folha. Você fala do ambiente político criado quando são tomadas as decisões econômicas e conclui que, na verdade, vivemos no mundo, ou ao menos nos Estados Unidos, mais uma questão de descoordenação política e miopia do que propriamente econômica.

Delfim Netto: Os Estados Unidos introduziram uma disfuncionalidade no sistema que não tem como decidir. O que acontece? Não adianta dar incentivos, que são necessários, mas insuficientes, se o sujeito que recebe os incentivos não acredita neles. Se o pessoal da produção não acredita que terá demanda lá na frente e se o pessoal do trabalho não se vê empregado no futuro. Nestes casos, o sujeito recebe um benefício e senta sobre ele, que é o que se passa neste momento. As empresas americanas têm um trilhão e meio de dólares em caixa e não investem…

LGB: …E os bancos têm um trilhão e quatrocentos de reservas e não emprestam.

DN: Por quê? Porque falta confiança. O circuito econômico foi interrompido e está difícil fazer pegar outra vez. A sorte do Brasil foi ter conseguido engrenar com maior rapidez, mas, agora que estamos aqui nós dois, podemos contar até alguns fatos interessantes. Lembra daquela reunião que o Lula providenciou na segunda-feira trágica após a quebra do Lehman Brothers. Estávamos eu, você, o Guido, o Lima, do Banco do Brasil, o Meirelles… Quem mais?

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Entrevista de Dilma Roussef à CartaCapital


Entrevista da PresidentA Dilma Rousseff à Revista CartaCapital. Retirado do site do Dep. Fed. Paulo Teixeira (clique aqui). Líder do PT na Câmara dos Deputados


Os gravadores ainda estavam desligados, a conversa versava sobre artes plásticas, quando Dilma Rousseff por um instante, pensou em outra vida: “Vocês sabem que eu gostaria de ter sido pintora, não?”

Quase no fim da entrevista, ela voltaria ao tema, um de seus preferidos, ao mostrar um livro sobre um grupo de sete pintores canadenses do começo do século passado, sua distração do momento.

No mais, a presidenta aparentava bom humor. E não havia um motivo específico para tanto. Ao contrário. A terça-feira 9 seria mais um daqueles dias em que o Palácio do Planalto se veria obrigado a reagir à contingência. Logo no raiar do dia, a Polícia Federal havia prendido 36 suspeitos de participar de um esquema de corrupção no Ministério do Turismo, entre eles o secretário-executivo da pasta. A operação soma-se a uma profusão de denúncias que culminaram na queda de António Palocci, na faxina nos Transportes e nas demissões na Agricultura. Com resultados agora medidos sobre a aprovação da presidenta e de seu governo. Segundo pesquisa Ibope divulgada no dia seguinte, a popularidade de Dilma recuou 6 pontos percentuais em relação à última medição. O mesmo se deu com o apoio à administração.

No flanco econômico, as bolsas de valores davam uma pequena trégua, mas prenunciavam os próximos dias de terror com o aprofundamento da crise econômica na Europa e o rebaixamento dos títulos da dívida dos Estados Unidos. “A situação mudou e o Brasil será obrigado a reagir de forma diferente à nova realidade”, afirmou Dilma, sem informar se a mudança em curso significa interromper a alta dos juros para conter uma inflação que já não mostra mais o ímpeto do primeiro semestre. “Pode ser exigido de nós um grande esforço.”

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A estratégia para superar o obstáculo da cor da pele


Reproduzo entrevista realizada pro Paulo Henrique Amorim com o  reitor José Vicente, da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo. A Entrevista foi publicada no site Conversa Afiada (clique aqui)

A cor da pele tem influência, sim, na profissão e na ascensão profissional.

Esta é a opinião de 71% dos entrevistados numa pesquisa do IBGE, que ouviu moradores de 15 mil domicílios e pessoas de mais de 15 anos de idade.

Sobre esse assunto, eu conversei no programa Entrevista Record Atualidade, da Record News, com o reitor José Vicente, da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, que tem 1.700 alunos e cinco cursos:  administração, direito, publicidade e tecnologia dos transportes.

José Vicente passou a infância no Morro do Querosene, em Marília, no interior de São Paulo, foi bóia fria, e estudou.

Estudou Direito, Sociologia e Política.

José Vicente também é membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. E lá no Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que reúne figuras do país inteiro, entre empresários e professores, cientistas e economistas, que discutiu o programa que a presidenta Dilma Rousseff lançou recentemente, o “Ciência sem Fronteiras”.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sindicatos não podem cair no canto dos bancos e PSDB, diz ministro


O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, teve uma manhã difícil na sexta-feira (05/05). Não pelas reuniões e problemas que encara todos os dias desde 2003 no Palácio do Planalto. Na véspera, o Palmeiras, time dele, tinha levado uma surra de seis a zero. Foi alguém ainda abalado que atendera a um telefonema do ex-presidente Lula. Assunto sério, urgente? Se você gosta de futebol, como os dois, sim. O corintiano ex-presidente ligara para provocar o ministro, como tantas vezes fizera frente a frente, nos oito anos em que Carvalho chefiara seu gabinete.

Por André Barrocal*

Mantido no Planalto pela presidenta Dilma Rousseff, Carvalho é a presença mais forte e nítida do antigo chefe dentro do coração do governo, mas não por causa de futebol. O passado sindical e a proximidade com os amigos sindicais de Lula levaram Dilma, que não tem a mesma experiência e o mesmo traquejo, a entregar-lhe a missão de ser o interlocutor principal do governo com os movimentos sociais. "Nunca antes na história desse país, as centrais vieram tanto ao Planalto, como nestes últimos cinco meses. E vai continuar assim", brinca Carvalho, usando um bordão do ex-presidente.

Em entrevista exclusiva a Carta Maior, concedida naquela sexta-feira, o ministro conta que o governo chamou as centrais para mostrar como decidiu enfrentar a inflação, problema mais delicado do início da gestão Dilma. Para ele, os trabalhadores não podem cair no "canto da sereia a favor de medidas mais duras" liderado pelo sistema financeiro e achar que os preços estão fora de controle. Mas também vai pedir que as centrais compreendam a situação atual e não sejam "egoístas" em negociações salariais, o que poderia pressionar a inflação.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Brasil promoverá justiça?


A principal razão da impunidade nos graves crimes de tortura, execução sumária e desaparecimento forçado de cidadãos brasileiros por agentes do Estado durante a ditadura é a política de esquecimento e ocultação dessas violações a direitos humanos, estabelecida pelo regime autoritário e aceita pelos governos democráticos.

Por Eugênia Augusta Gonzaga e Marlon Alberto Weichert*

Sob o ponto de vista jurídico, os óbices são a Lei de Anistia, de 1979, e a recusa dos tribunais brasileiros em aplicar as normas do direito internacional que fixam o dever dos Estados de investigar e punir os autores de graves violações aos direitos humanos e crimes contra a humanidade independentemente do tempo decorrido.

As ditaduras militares foram uma infeliz realidade na América do Sul dos anos 1960 e 1970. Em todas elas houve drástica repressão às oposições e dissidências, com a adoção da tortura e da perseguição como  política de governo. Ao fim desses regimes autoritários adotaram-se formas semelhantes de transição com a aprovação das chamadas leis de impunidade, as quais incluem as anistias a agentes públicos.

Entretanto, após a redemocratização, quase todos os países superaram esses obstáculos, iniciando centenas de processos de responsabilização e instituindo Comissões da Verdade. Argentina, Chile, Uruguai, Peru e muitos outros já trilharam esse caminho, baseados em normas e decisões de tribunais internacionais, emitidas desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que, por exemplo, permitem o julgamento dos carrascos nazistas até os dias atuais.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A herança maldita do agronegócio


“O uso dos agrotóxicos não significa produção de alimentos, significa concentração de terra, contaminação do meio ambiente e do ser humano”

Raquel Rigotto é professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, Raquel contesta o modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Brasil e prevê que para as populações locais restará a “herança maldita” do agronegócio: doenças e terra degradada.
Desde 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos para se tornar o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, é também o principal destino de agrotóxicos proibidos em outros países.

Por Manuela Azenha*

Viomundo – O Brasil continua sendo o maior consumidor de agrotóxicos do mundo?
 
Raquel Rigotto -  Os dados de 2008 e 2009 apontaram isso, eu não vi ainda os de 2010.  Mas nos anos anteriores tivemos esse triste título.

V – Por que a senhora acha que o Brasil vai nesse contra-fluxo? Os Estados Unidos e a UE proibindo o uso de agrotóxicos e o Brasil aumentando o consumo?

RR -  É um fenômeno que tem muito a ver com o contexto da reestruturação produtiva, inclusive da forma como ela se expressa no campo.  Nós estamos tendo na América Latina, como um todo, uma série de empreendimentos agrícolas que se fundam na monocultura, no desmatamento, são cultivos extensivos, de área muito grande, então isso praticamente obriga a um uso muito intenso de agrotóxicos. Então tem a ver com a expansão do chamado agronegócio na América Latina, como um todo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

“É preciso respeitar a decisão do povo de cada país”

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, analisa os recentes acontecimentos no Oriente Médio e norte da África e suas possíveis repercussões. O ex-chanceler chama a atenção para o fato de que as revoltas populares ocorrem em países considerados “amigos do Ocidente” que não eram alvo de nenhum tipo de crítica ou sanção. “Há algumas lições a serem tiradas destes episódios. A primeira delas é que é preciso respeitar os movimentos internos e não querer impor mudanças a partir de fora”, diz Amorim, defendendo a postura adotada pela diplomacia brasileira nos últimos anos.

Por Marco Aurélio Weissheimer*

- “Há algumas semanas, se fosse realizada uma consulta entre especialistas em política internacional pedindo que apontassem dez países que poderiam viver proximamente uma situação de conflito político-social, duvido que algum deles apontasse a Tunísia”.

O embaixador Celso Amorim, ministro de Relações Exteriores do Brasil por mais de oito anos (dois mandatos do governo Lula e mais um período no governo Itamar Franco), iniciou a conversa telefônica, direto da embaixada do Brasil em Paris, chamando a atenção para a complexidade e o dinamismo do cenário internacional e para o baixo nível de conhecimento que se tem sobre a situação de muitos países. Em entrevista exclusiva à Carta Maior, concedida no início da tarde desta sexta-feira, Celso Amorim analisa os recentes acontecimentos no Oriente Médio e no norte da África e suas possíveis repercussões. Como que para ilustrar o dinamismo mencionado por Amorim, quando a entrevista chegou ao fim, Hosni Mubarak não era mais o presidente do Egito.

Na entrevista, o ex-chanceler brasileiro chama a atenção para o fato de que as revoltas populares que o mundo assiste agora, especialmente na Tunísia e no Egito, acontecem em países considerados “amigos do Ocidente” que não eram alvo de nenhum tipo de sanção por parte da comunidade internacional. “Isso mostra que a posição daqueles que defendem sanções contra o Irã é equivocada”, avalia. Amorim acredita que uma mudança política no Egito terá impacto em toda a região, cuja extensão ainda é difícil de prever. E defende a política adotada pelo Brasil nos últimos anos apostando na capacidade de diálogo do país, reconhecida e requisitada internacionalmente.